MPF denuncia assessor de Bolsonaro por gesto racista no Senado

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No fundo, Filipe Martins e o gesto que gerou revolta por sua identificação com supremacistas brancos (Foto: Reprodução/TV Senado)
No fundo, Filipe Martins e o gesto que gerou revolta por sua identificação com supremacistas brancos (Foto: Reprodução/TV Senado)

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou, na terça-feira (8), o assessor do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, após ele realizar gestos usados por movimentos extremistas ligados à supremacia branca, em audiência no Senado.

O MPF afirmou que ficou evidente que Filipe agiu de “forma intencional” e tinha consciência do conteúdo que faz referência à expressão ‘White Power’, do significado e da ilicitude do seu gesto.

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O assessor da Presidência da República responderá por crimes raciais, por ter praticado e induzido a discriminação e o preconceito de raça. Ele pode ser condenado à prisão, ao pagamento de multa mínima de R$ 30 mil e à perda do cargo público.

O inquérito foi conduzido pela Polícia Legislativo do Senado, que realizou perícias minuciosas sobre os movimentos práticos por Filipe a fim de analisar se o assessor estaria de fato apenas ajeitando a lapela de seu terno, como alegou. No entanto, a conclusão investigativa apontou que as ações foram incompatíveis com um possível ajuste das suas roupas.

As informações foram encaminhadas à 12ª Vara da Justiça Federal. O MPF analisou o perfil e o histórico do assessor para verificar se o gesto aconteceu de forma casual. A denúncia aponta que Filipe apresenta padrão de comportamento e difusão de ideias ou símbolos extremistas. Na peça, procuradores citam diversos tuítes postados pelo denunciado contendo frases e citações com referências históricas utilizadas por militantes racistas e assassinos.

“Não é verossímil nem casual que tantos símbolos ligados a grupos extremistas tenham sido empregados de forma ingênua pelo denunciado, ao longo de vários meses em que ocupa posição de poder na estrutura da administração pública federal, nem que sua associação a grupos e ideias extremistas tenha sido coincidência em tantas ocasiões”, argumentam os procuradores.

No documento, o MPF explica que a ação praticada pelo denunciado enquadra-se no que é chamado de “dog-whistle politics” - transmissão de gestos, palavras ou imagens de forma discreta ou dissimulada.