MPF denuncia mais dois envolvidos em recebimento de propina em metrô do Rio

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) denunciou o ex-subsecretário de Transportes do estado Luiz Carlos Velloso, o diretor de Engenharia da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Júnior, e mais cinco pessoas por lavagem de dinheiro referente a vantagens indevidas recebidas nos contratos para a construção da linha 4 do metrô do Rio de Janeiro. As denúncias decorrem da Operação Tolypeutes, realizada no âmbito das investigações conduzidas pela força tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

As investigações comprovaram que o esquema de corrupção existente na Secretaria de Estado de Obras do Rio de Janeiro, que consistia na cobrança de propina das empreiteiras envolvidas nos bilionários contratos de obras civis, repetia-se na Secretaria Estadual de Transportes e na Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos), especificamente no contrato de construção da linha 4 do metrô.

De acordo com os procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato no Rio, "afigura-se evidente que a organização criminosa, capitaneada por Sérgio Cabral durante sua gestão do estado do Rio de Janeiro, esteve presente em várias secretarias do estado”.

Os procuradores da República sustentam ainda que as prisões preventivas de Heitor Lopes e Luiz Velloso devem ser mantidas, tendo em vista que grande parte dos recursos pagos a título de propina ainda não foi localizada.

Nos termos da denúncia, Heitor Lopes de Souza Júnior praticou atos de lavagem de dinheiro de três formas distintas: fazendo 19 depósitos em dinheiro, no valor total de R$ 174 mil, na conta da empresa Arqline Arquitetura e Consultoria - EPP, da qual é sócio; e 32 transações financeiras, no valor total de R$ 5,3 milhões entre a empresa MC Link Engenharia LTDA, subcontratada do consórcio que construiu a Linha 4 do Metrô, e a Arqline Arquitetura e Consultoria - EPP; além de 139 operações financeiras, no valor total de R$ 30,7 milhões, envolvendo a empresa Arqmetro Arquitetura e Consultoria, da qual era sócio oculto.

A denúncia de Luiz Carlos Velloso narra quatro tipos de lavagem de dinheiro: sendo três pagamentos em dinheiro, no valor total de R$ 68,3 mil, por serviços educacionais de seus filhos; 69 pagamentos em dinheiro, no valor total de R$ 600,4 mil, de cartões de crédito de sua esposa; além de 182 depósitos em dinheiro, no valor total de R$ 285 mil, na conta de sua esposa; e aquisição do automóvel Mercedes Benz C180, pelo valor de R$ 125 mil, em nome da empresa de seu irmão.