MPF denuncia promotores paraguaios por recebimento de propina de narcotraficante brasileiro

O Ministério Público Federal denunciou, na semana passada, o ex-procurador antidrogas e ex-vice-ministro de Assuntos Políticos do Paraguai, Hugo Volpe, e o promotor Armando Cantero por recebimento de propina. O dinheiro teria vindo do narcotraficante brasileiro Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, um dos líderes da facção criminosa paulista que domina os presídios brasileiros.

Segundo a denúncia, à qual o GLOBO teve acesso, os dois receberam propina de Quintiliano, por intermédio de seu advogado e sócio, o paraguaio Edson Sanchez Benitez. Em troca, Volpe teria arquivado investigações contra Quintiliano e a advogada Maria Alciris Cabral Jara, pessoa de confiança do narcotraficante.

Na ocasião da propina, entre junho e julho de 2019, Volpe coordenava o grupo que investigava e denunciava o tráfico de drogas no país vizinho. Já o promotor Cantero era o responsável pelo combate ao tráfico na região da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na divisa com a sul-matogrossense Ponta Porã, e agia sob a supervisão de Volpe.

De acordo com o MPF, os dois promotores receberam uma caneta da marca Mont Blanc, edição pequeno príncipe, no valor de quase US$ 900 dólares. Cantero teria recebido ainda US$ 10 mil em dinheiro.

Uma das investigações arquivadas contra Quintiliano era por uso de nome e documentos falsos no Paraguai. No país vizinho, o narcotraficante havia adotado o nome Celso Matos Espíndola. A identidade falsa foi descoberta no início de 2018 pela Polícia Civil de Ponta Porã, com auxílio de policiais paraguaios. O policial que liderava a investigação foi executado no dia 6 de março daquele ano e, a partir daí, Minotauro passou a adotar a identidade de Mário César Medina. Começaram aí suas investidas para pôr fim ao procedimento aberto no MP do Paraguai.

Narcotraficante

Segundo a denúncia, Quintiliano e Jara integraram a organização criminosa paulista entre, pelo menos, 2017 e 2019. Eram conhecidos na região da fronteira por traficarem e corromperem funcionários públicos.

Quintiliano participava de um esquema de comercialização de cocaína proveniente da Bolívia. A logística consistia em buscar a droga na Bolívia em aviões, descarregar em uma fazenda na região de Pedro Juan Caballero e distribuir para destinos nacionais e internacionais.

À Minotauro cabia fomentar a produção e negociar a comercialização da droga em larga escala, além de comandar as relações da organização criminosa, seja por meio de violência ou da “diplomacia”. Já Maria era a gestora financeira da organização, responsável pela contabilidade, que incluía pagamentos mensais a policiais paraguaios e toda a aproximação e negociação junto aos membros do Ministério Público do país vizinho.

Em setembro de 2019, a Justiça Federal em Ponta Porã condenou Quintiliano a 40 e nove meses de prisão no âmbito de outra ação penal, por liderar a organização criminosa e praticar a corrupção ativa de policiais paraguaios, além de falsidade ideológica. A sentença condenou também Jara a 20 anos e dez meses de prisão, pelos crimes de organização criminosa e corrupção ativa.

Procurados para comentar a denúncia, os promotores não retornaram.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos