MPF diz à Justiça que USP comprovou eficácia do kit-Covid, mas universidade nega

Colaboradores Yahoo Notícias
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TOPSHOT - Brazilian President Jair Bolsonaro shows a box of hydroxychloroquine to supporters outside the Alvorada Palace in Brasilia, on July 23, 2020. - In a study published in "The New England Journal of Medicine", Brazilian researchers from 55 hospitals point out that hydroxychloroquine was not effective in treating COVID-19 in patients with mild and moderate cases. The study shows that, after 15 days of treatment, similar percentages of patients, who took hydroxychloroquine or not, were already at home "without respiratory limitations". The percentage of deaths was the same in all groups: 3%. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O MPF (Ministério Público Federal) disse à Justiça que o “kit-Covid”, conjunto de medicamentos defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ineficazes contra o novo coronavírus, teve sua eficácia comprovada pela USP (Universidade de São Paulo). A instituição, porém, nega o estudo.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a afirmação foi feita pelo procurador de República Kelston Pinheiro Lages em um processo por meio do qual ele quer obrigar o Estado do Piauí e a Prefeitura de Teresina a disponibilizarem a hidroxicloroquina e a azitromicina e suas unidades de saúde.

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Em razão da escassez de vacinas no Piauí, diz o procurador, “o tratamento precoce ainda é extremamente relevante, tendo, inclusive, sua eficácia recentemente comprovada, com matéria publicada pela Universidade de São Paulo”. Para comprovar sua argumentação, reproduziu um post publicado em rede social por um internauta.

“Isso era para estar na manchete de todos os jornais do país inteiro, era para ter sido notícia no Jornal Nacional, com a bancada dando a notícia em ritmo de festa”, diz o post após anunciar a alegada comprovação científica da hidroxicloroquina e da azitromicina.

A USP nega ter comprovado a eficácia desses medicamentos para o tratamento do coronavírus. Em nota publicada na página da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, disse que o seu estudo avaliou o uso de um outro medicamento, a colchicina, mas não os citados. “O estudo foi divulgado com informações equivocadas nas redes sociais”, afirma a universidade.

A USP afirma que os resultados indicaram que a colchicina “pode ajudar a combater a inflamação pulmonar e a acelerar a recuperação de pacientes com as formas moderada e grave da doença”. Apesar de chamar os estudos de “promissores”, a nota diz que os pesquisadores ressaltam que não é recomendado o uso indiscriminado da colchicina para prevenção ou tratamento da Covid-19.

“É preciso um novo estudo com mais pacientes para confirmar os benefícios e analisar o comportamento do fármaco em casos mais graves da doença.”