Ministério Público Federal inicia investigação sobre aumento de 18% nas ações da IRB Brasil

Cleide Carvalho
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SÃO PAULO — O Ministério Público Federal instaurou investigação para apurar se houve crime financeiro nas negociações de ações do IRB Brasil Resseguros. No último dia 28, o preço dos papéis aumentaram 17,82% e o volume negociado atingiu quase R$ 1,4 bilhão, mais de três vezes a média diária dos 12 meses anteriores, de R$ 437 milhões.

Foi preciso intervenção da Bolsa de Valores (B3) para neutralizar a oscilação e a explicação estaria numa ação orquestrada, a exemplo do que ocorreu com as ações da rede de lojas GameStop, nos Estados Unidos. Pelo esquema, de caráter especulativo, o valor das ações é inflado pela compra articulada por milhares de investidores individuais.

A ação orquestrada, conhecida como “short squeeze”, tem o mesmo nome de um grupo de investidores criado no Telegram, na esteira do caso GameStop, que reúne mais de 20 mil participantes. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) afirmou que ataques especulativos podem ser caracterizados como crime na Justiça comum.

Com o alerta, segundo o Valor Investe, o grupo "Short Squeeze IRB" teria mudado de nome para 'CPFs do IRB' e os administradores comunicaram que a denominação inicial não estava em linha com o "propósito".Caso GameStop:Sem regulamentação, pode ser o novo "normal"

O criador do grupo, que se identifica como SS IRB, negou ao Valor que o aumento no preço das ações da companhia de resseguros tenha sido motivado pela atuação dos pequenos investidores e atribuiu a alta a uma reação de grandes investidores à formação do grupo.

A elevação artificial de valores prejudica principalmente fundos que apostam no aluguel de papéis que estão com previsão de desvalorização no mercado.

Os procuradores afirmam que há indícios de compra massiva das ações do IRB por pequenos investidores, que se articularam em fóruns na internet e aplicativos de mensagens. Segundo eles, caso comprovado, a prática caracteriza crime de manipulação do mercado, previsto na Lei 6.385/1976, e pode resultar em penas de reclusão de até oito anos e multa correspondente a três vezes a vantagem ilícita obtida com a compra e venda dos papéis.

Também será apurada a conduta da Bolsa, que fez um leilão contínuo de ações do IRB para conter a valorização. O procurador Rodrigo de Grandis, responsável pela investigação, já solicitou informações à presidência da B3, que gerencia o mercado de ações no Brasil, para que justifique a interferência no mercado.

O prazo para resposta é de 15 dias. O procurador pediu ainda à CVM que informe se foi aberto processo administrativo para apurar o fato e quais regulamentos podem ter sido violados.