MPF investiga se omissão da PRF contra bloqueios teve “motivação política'

Diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, será investigado a pedido do MPF por uma eventual omissão nas ações de combate aos bloqueios. (Foto: Getty Images)
Diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, será investigado a pedido do MPF por uma eventual omissão nas ações de combate aos bloqueios. (Foto: Getty Images)
  • MPF investiga se houve "motivação política" em eventual omissão da PRF nos bloqueios;

  • Procurador afirma que houve uma "suposta falta de ação logo após o resultado eleitoral";

  • Há também indícios de que bloqueios contaram com planejamento e cobertura financeira.

O Ministério Público Federal (MPF) está investigando se houve “motivação política” em eventual omissão da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nos bloqueios ilegais e antidemocráticos promovidos por eleitores de Jair Bolsonaro (PL) que não aceitaram a derrota do presidente nas urnas.

Segundo o procurador Frederico Paiva, da Procuradoria da República do Distrito Federal (PRDF), o questionamento gira em torno de uma “suposta falta de ação logo após o resultado eleitoral, quando começaram esses bloqueios em rodovias federais. A gente quer saber se por trás dessa omissão da PRF, omissão pelo menos nas primeiras horas, primeiro dia de bloqueio, tem alguma motivação política. Essa é uma das vertentes da investigação”, afirmou ao g1.

De acordo com levantamento da Folha de S. Paulo, a PRF não aumentou o número de agentes efetivos na segunda-feira (31), quando começaram os bloqueios nas estradas. O número de policiais em exercício foi semelhante ao das outras segundas de outubro.

A quantidade de efetivos só subiu na terça-feira (1º), após determinação do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele ordenou a “imediata desobstrução de estradas” interditadas pelos protestos e afirmou que a PRF não estava “realizando sua tarefa constitucional e legal”.

O procurador Frederico Paiva ainda chama a atenção para indícios de que os protestos contaram com planejamento e estrutura financeira. “Tinham cobertura por trás. Ninguém abre mão de trabalhar por todo esse tempo se não há cobertura financeira por trás”, apontou.

O diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, será investigado a pedido do MPF. O objetivo é analisar “as condutas adotadas – ou deixadas de adotar” desde o dia 30, data do segundo turno que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva.

“A gente nota esse silêncio, a gente acredita que uma postura mais firme e mais efetiva facilitaria que as pessoas não ocupassem as vias. A gente tem como diligência intimá-lo para que ele preste depoimento sobre vários pontos e situações que necessitam de mais esclarecimento. Todo esse silêncio dele me parece que não é a melhor estratégia”, completou o procurador.