MPF na Paraíba lista problemas em obras de transposição do São Francisco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério Público Federal em Monteiro (PB) divulgou na sexta-feira (31) uma lista de problemas nas obras da transposição do rio São Francisco, no trecho que passa pelo Estado, e alertou a população para que não se banhe nos canais e no leito do rio Paraíba.

Segundo a Procuradoria, a obra da transposição "não está concluída, estando em fase de pré-operação e testes", e uma série de compromissos que teriam sido assumidos pelo governo federal não foram totalmente cumpridos.

Procurado, o governo não comentou o teor da nota.

A Procuradoria afirma que faltam obras de adequação nas barragens Poções, Camalaú e Boqueirão e que não há planos de ação para o caso de acidentes (como rompimentos).

Ainda de acordo com o órgão, não existe certeza técnico-científica sobre a qualidade da água, sem o devido tratamento, para consumo humano.

"A irregularidade da vazão da água que percorre o rio Paraíba, especialmente no trecho Poções-Camalaú, aponta para a precariedade na gestão do sistema; [...] a falta de revitalização do rio Paraíba prejudica a sustentabilidade da condução da água até o açude de Boqueirão, que abastece Campina Grande", diz o texto da Procuradoria.

ORIENTAÇÕES

O Ministério Público, na nota, orienta as pessoas a não se banhar nos canais da transposição e no leito do rio Paraíba, não utilizar a água sem outorga dos órgãos competentes e não fazer extração mineral sem autorização.

"Em caso de rompimento de barragens ou canais, cumpra as orientações dos órgãos de defesa civil", diz o texto.

Em 10 de março, o presidente Michel Temer esteve em Monteiro para uma cerimônia de chegada das águas da transposição do rio São Francisco à Paraíba.

Dias depois, foi a vez dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff visitarem Monteiro, onde reivindicaram a paternidade das obras.