MPF pede investigação sobre presidente do Ibama por afrouxar exportação de madeira

Leandro Prazeres
·1 minuto de leitura

A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio do Ministério PúblicoFederal (4CCR/MPF) pediu a abertura de uma investigação sobre aatuação do presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente eRecursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim. O pedido é paraque ele seja investigado tanto por improbidade administrativa quantona esfera criminal por conta da assinatura de despachos queafrouxaram as regras para a exportação de madeira. O pedido foifeito na segunda-feira.

O pedido deinvestigação aconteceu depois que um procurador da República noPará decidiu arquivar um inquérito que apurava a exportação demadeira de forma supostamente irregular. O argumento usado peloprocurador é de que os responsáveis pela exportação cumpriram umaorientação dada pelo comando do Ibama.

Ao analisar oarquivamento, a Câmara decidiu, então, pedir a abertura de uma investigaçãosobre a atuação de Bim ao assinar uma série de despachos quefacilitaram a exportação de madeira no Brasil.

Os primeirosdecretos começaram a ser assinados por Bim em fevereiro do anopassado, atendendo a um pedido feito por associações querepresentam indústrias madeireiras do Pará. No primeiro decreto,Eduardo Bim dispensou necessidade de autorização específica paraexportação de produtos florestais de origem nativa, contrariandouma Instrução Normativa de 2011. A decisão de Eduardo Bimcontrariou pareceres técnicos do órgão. Entidades que atuam na defesa do meio ambiente afirmam que a medida abriu mais brechas para a exportação de madeira extraída de forma ilegal, contribuindo, assim, para o aumento do desmatamento na Amazônia.

O pedido cita umareportagem do GLOBO publicada em 2020 que mostra que algumas dasempresas que se reuniram com ele antes da decisão de afrouxar asregras para a exportação haviam sido multadas em pelo menos R$ 2,6milhões.

O GLOBO pediu um posicionamento do Ibama em relação ao pedido de investigação feito pelo MPF, mas até o momento, não houve retorno.