MPF pede para investigar 'apagão' em computadores da Presidência dois dias após as eleições

O Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal solicitou nesta sexta-feira a abertura de uma investigação para apurar um suposto “apagão” de documentos nos computadores da Presidência da República no dia 1º de novembro, dois dias após o segundo turno das eleições.

Recluso: Bolsonaro completa duas semanas com agenda enxuta, pula 'live' e não sai do Alvorada

Pão com linguiça e picanha: ato antidemocrático em Brasília é apoiado por fazendeiro e doadores de campanha de Bolsonaro

O órgão abriu o procedimento após o site Metrópoles noticiar que HDs de equipamentos usados pelo Executivo estariam sendo formatados em razão de uma suposta ameaça aos sistemas e aos bancos de dados da pasta.

Procurada, a Secretaria-Geral da Presidência da República, órgão responsável pela administração do Palácio do Planalto, afirmou que “as ferramentas de segurança que protegem a rede da Presidência da República detectaram a presença de um ‘malware’ em algumas estações de trabalho, tendo neutralizado suas ações poucos minutos depois”.

“De imediato, a Equipe de Tratamento e Resposta a Incidentes em Redes Computacionais (ETIR) iniciou as análises para identificar a origem da infecção, tendo identificado que ela ocorreu por meio de ‘phishing’. Não houve vazamento de dados, nem comprometimento de sistemas hospedados na rede da Presidência da República”, completou, em nota.

O MPF, porém, quer que a Secretaria-Geral da Presidência explique de quem partiu a ordem de formatação dos HDs e se a pasta promoveu a apuração de responsabilidades sobre eventuais causas e responsáveis pelo ocorrido. O órgão acrescenta que “os fatos são graves e suficientes para instaurar uma investigação” e ainda sustenta que a Presidência da República não esclareceu se computadores foram formatados, se arquivos foram danificados ou apagados, se dados sensíveis foram vazados, se dados públicos foram perdidos ou se houve investigação sobre a origem do ataque.

“Faz-se necessário, assim, para a adequada proteção do patrimônio público e para a segurança da informação constante de bancos de dados da maior relevância para o Estado brasileiro, que todas as circunstâncias do suposto ataque e da suposta formatação sejam apuradas, bem assim que os agentes públicos envolvidos na ocorrência sejam ouvidos, para melhor esclarecer os fatos, seus desdobramentos e consequências”, destacou o MPF.

A representação será distribuída internamente, após sorteio eletrônico entre os ofícios do MPF no DF que atuam na área de atos administrativos.