MPF vai apurar denúncias de policiais perseguidos por não apoiar Bolsonaro

Represália se daria com “transferências arbitrárias, perseguições, PAD's (processos administrativos disciplinares)”, entre outras medidas (Foto: ANDERSON COELHO/AFP via Getty Images)
Represália se daria com “transferências arbitrárias, perseguições, PAD's (processos administrativos disciplinares)”, entre outras medidas (Foto: ANDERSON COELHO/AFP via Getty Images)
  • MPF vai investigar denúncias de policiais que se sentiram perseguidos por não apoiarem Bolsonaro;

  • Em depoimentos, agentes afirmam que foram ameaçados de retaliação;

  • Diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e outros integrantes do comando foram citados.

O Ministério Público Federal abriu um inquérito civil público para apurar as denúncias de agentes da Polícia Rodoviária Federal que se sentiram perseguidos por não apoiarem a reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Os profissionais alegam que sofreram ameaças por terem posição política contrária.

Em representação e depoimentos, o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e outros integrantes do comando da corporação foram acusados de sinalizar “retaliação a todo servidor” que não tenha indicado apoio a Bolsonaro. A represália, segundo a coluna de Lauro Jardim, se daria com “transferências arbitrárias, perseguições, PAD's (processos administrativos disciplinares)”, entre outras medidas.

Em um dos depoimentos colhidos, um policial rodoviário afirma que “passou a responder injustificadamente a uma sindicância” depois de apoiar a eleição de Lula em sua rede social particular.

A apuração do MPF analisará representações e depoimentos dos agentes e tem como objetivo descobrir se houve improbidade administrativa, abuso de poder e desvio de finalidade.

Operação da PRF no segundo turno

O inquérito também mira as ações da polícia rodoviária do dia 30 de outubro, data do segundo turno. Na ocasião, blitzes com foco no Nordeste, reduto de eleitores petistas, dificultaram o acesso da população a suas sessões eleitorais. A operação contrariou a ordem do STF (Supremo Tribunal Federal).

O procurador da República, Eduardo Santos de Oliveira Benones, oficiou Silvinei a apresentar informações sobre quantos agentes participaram da operação em 2022 e em 2018. Ele também terá que fornecer um mapa regionalizado com informações sobre onde foram feitas as blitzes neste ano e nas eleições passadas.

O MPF ainda pediu o afastamento imediato de Silvinei por 90 dias. Na ação, a Procuradoria defende a condenação de Vasques em razão de suposto "uso indevido do cargo, com desvio de finalidade, bem como de símbolos e imagem da Polícia Rodoviária Federal com o objetivo de favorecer o candidato à reeleição Jair Messias Bolsonaro para o cargo de Presidente".

A solicitação foi feita em uma ação de improbidade administrativa protocolada na Justiça Federal do Rio de Janeiro.