MPRJ obtém bloqueio de R$ 2,8 milhões e afastamento de delegado e demais envolvidos em extorsão de lojistas de Petrópolis

·3 minuto de leitura

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) obteve decisão liminar favorável em ação civil pública ajuizada contra o delegado de polícia Maurício Demétrio Afonso Alves e outros 10 réus da operação Carta de Corso, realizada no dia 30 de junho por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o MP, a organização criminosa — chefiada por Demétrio e que contava com a participação de outros agentes, sendo três policiais civis e um perito criminal — exigia dos lojistas da Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana, o pagamento de vantagens ilegais para permitir que continuassem vendendo roupas falsificadas de marcas famosas (piratas).

O grupo, segundo as investigações, surgiu na Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) entre março de 2018 e março de 2021, quando Demétrio era o delegado titular. A 6ª Vara de Fazenda Pública da Capital determinou o afastamento dos agentes públicos de seus cargos, o bloqueio de bens no valor de R$ 2,8 milhões e a quebra dos sigilos fiscal e bancário de todos os envolvidos. A ação faz parte da segunda fase da operação.

Na denúncia da primeira fase da operação constam os crimes de organização criminosa, concussões, falsa perícia, inserção de dados falsos em sistemas públicos, obstruções às investigações e lavagens de dinheiro.

A investigação do MP aponta que a quadrilha era dividida em dois núcleos comandados por Demétrio. Um deles com os operadores do esquema em Petrópolis: Alex Sandro Gonçalves Simonete, Ana Cristina de Amaral Fonseca e Rodrigo Ramalho Diniz seriam responsáveis por ameaçar os lojistas e recolher os valores cobrados pela organização. Já o outro núcleo seria formado pelos policiais civis Celso de Freitas Guimarães Junior, Vinicius Cabral de Oliveira e Luiz Augusto Nascimento Aloise, além do perito José Alexandre Duarte.

Se acordo com o MP, José Alexandre seria responsável por executar diligências policiais como forma de represália aos lojistas que se recusavam a pagar os valores exigidos pela quadrilha. Ainda conforme o MP, ele forjava provas e produzia laudos falsos.

O MP informou que o grupo ainda usou estruturas da Polícia Civil para forjar operações e obstruir as investigações contra seus integrantes. Em uma delas, que recebeu o nome "Raposa no Galinheiro", para prender o delegado de polícia Marcelo Machado, que investigava Maurício Demétrio na Corregedoria da Polícia Civil. Nele, Demétrio usou uma conta falsa no WhatsApp, em que ele se passou por uma mulher, fez encomendas de mercadorias e, assim, armou a prisão em flagrante de Machado.

O grupo tinha como prática ameaçar os lojistas do tradicional centro comercial para extorqui-los. Cada estabelecimento tinha que pagar R$ 250 semanalmente à organização em troca da permissão pela venda de roupas falsificadas. A cobrança era feita pessoalmente por parte dos integrantes do esquema. Caso se negassem a pagar, os estabelecimentos se tornavam alvos de operações da DRCPIM e tinham apreendidos materiais irregulares.

Além de Maurício Demétrio, figuram como réus na ação civil pública os policiais civis Celso de Freitas Guimarães Junior, Vinicius Cabral de Oliveira e Luiz Augusto Nascimento Aloise, o perito criminal José Alexandre Duarte, Alex Sandro Gonçalves Simonete, Ana Cristine de Amaral Fonseca, Rodrigo Ramalho Diniz, Ricardo Alves Junqueira Penteado, Alberto Pinto Coelho e Verlaine da Costa Pereira Alves.

Os promotores apontaram que Demétrio levava um padrão de vida acima do esperado com os ganhos no cargo de delegado da Polícia Civil, incluindo o uso de três carros de luxo que seriam fruto de lavagem de dinheiro. Ele foi preso no condomínio onde mora, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Desde março, estava à frente da Delegacia do Consumidor (Decon), com sede na Cidade da Polícia, um dos 19 locais de busca e apreensão durante a operação.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos