MPT abre inquérito para apurar caso da babá que pulou de 3° andar de prédio na Bahia; patroa prestou depoimento à polícia

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu inquérito para apurar o caso da babá que se jogou do terceiro andar de um prédio no bairro do Imbuí, em Salvador, na tarde de quarta-feira. Raiane Ribeiro, de 25 anos, que trabalhava há apenas sete dias como babá das trigêmeas, de 1 ano e 9 meses, num apartamento do bairro de classe média, acusa a empregadora Melina Esteves França, de 40 anos, de agressão e cárcere privado. Após receber atendimento médico, a jovem foi ouvida na 9ª Delegacia da Polícia Civil (9ª DT/Boca do Rio), na manhã de quinta-feira.

A procuradora Manuella Gedeon, do MPT, esteve presente na delegacia durante todo o dia e ouviu os relatos tanto da babá, quanto da empregadora, que esteve na delegacia do bairro da Boca do Rio pela tarde.

De acordo com o MPT, a babá relatou que caiu ao tentar sair por uma janela do apartamento no terceiro andar para fugir de agressões verbais e físicas que teria sofrido no imóvel. A mulher investigada declarou que Raiane se jogou do basculante do banheiro, onde se trancou depois de se descontrolar e entrar em luta, e que ela mesmo teria ligado para a polícia minutos antes da queda para comunicar a situação.

O MPT informou que vai solicitar as imagens das câmeras de segurança do apartamento, já de posse da Polícia Civil, e do laudo a ser elaborado pela auditoria-fiscal do trabalho. Caberá à Superintendência Regional do Trabalho da Bahia (SRT-BA) analisar documentos e evidências para apontar os detalhes da relação de trabalho e das condições de tratamento dispensadas à empregada.

A procuradora afirmou querer ouvir também outras testemunhas, incluindo uma funcionária que estava no imóvel no momento da queda. Também serão ouvidas pessoas que alegam terem trabalhado na mesma residência e terem sofrido maus-tratos semelhantes.

“Os fatos narrados nos depoimentos são extremamente graves, mas não vamos nos precipitar em formar um juízo antes de ouvir todos os envolvidos e colher as provas disponíveis. No curso do inquérito, essas declarações serão verificadas e os fatos serão analisados para que possamos decidir que providências na esfera trabalhista deverão ser adotadas”, frisou a procuradora.

Uma ex-funcionária de Melina, que preferiu não se identificar procurou a delegacia para denunciar agressões e maus-tratos sofridos durante 15 dias do mês de junho, em que trabalhou na casa da patroa.

— Meu trabalho era brincar mais com as meninas. Tinha uma hora que eu estava cansada e ela falou: 'Sua obrigação aqui é você cuidar das meninas, você brincar com as meninas, você não pode parar de brincar' — relatou ao portal G1.

Pelo menos seis ex-funcionárias de Melina França relatam semelhanças: comportamento agressivo, ausência de registro e recusa de pagar pelo trabalho de babás ou trabalhadoras domésticas.

— Os fatos são idênticos aos da Raiana e a semelhança do que acontecia era a mesma. Mantinha-se as empregadas em cárcere privado, privava-se do celular, de alimentação, bebida e todas não recebiam o seu salário para o seu trabalho — disse o advogado das vítimas, Bruno Oliveira.

Apesar da queda, Raiana sofreu uma fratura no pé e recebeu alta médica ainda na quarta. Ela terá que ficar de repouso.

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