MPT investiga patrocinadora do Corinthians por assédio eleitoral

SÃO PAULO, SP - SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O MPT (Ministério Público do Trabalho) instaurou procedimento para apurar denúncias de assédio eleitoral que teriam ocorrido nas dependências da Bebidas Poty, fabricante de bebidas localizada no município de Potirendaba (440 quilômetros de São Paulo).

A Poty é uma das patrocinadoras do time de futebol do Corinthians e participará de uma audiência com procuradores às 13h desta sexta-feira (28), onde deve ser proposta a assinatura de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta), prevendo compromissos para coibir o assédio.

Segundo o MPT, um inquérito foi aberto no dia 24 de outubro para investigar denúncias de que integrantes da diretoria da empresa estariam tentando influenciar o voto dos funcionários. O candidato favorecido seria o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno das eleições contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O órgão não deu detalhes sobre as denúncias recebidas. De acordo com o MPT, apenas na cidade de Potirendaba já foram registradas dez denúncias de assédio eleitoral, dentre 120 denúncias feitas no interior de São Paulo.

Por telefone na tarde desta quinta-feira (27), o diretor da empresa José Luiz Franzotti disse achar a situação inacreditável e que aguarda a audiência. Questionado se tinha conhecimento das denúncias, o diretor se irritou com a reportagem, disse que a imprensa monta um "gabinete do ódio" e desligou o telefone.

Em sua conta no Instagram, a última publicação de Franzotti data de 1º de outubro (um dia antes do primeiro turno das eleições). No vídeo, ele diz ser "da direita", pondera que respeita todas as opiniões políticas, e fala sobre os candidatos que apoia.

"Estamos sendo governados hoje por um presidente que às vezes até acho ele um pouco truculento, às vezes até um pouco mal-educado na sua forma de falar, na sua forma de expressar", diz. "Sou a favor da reeleição do nosso presidente", conclui, antes de também declarar apoio a Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo de São Paulo.

A Poty emprega mais de 800 funcionários em Potirendaba, cidade com pouco mais de 17 mil habitantes, de acordo com o IBGE. A companhia também é conhecida por patrocinar times de futebol e tem o logotipo do Guaraná Poty estampado na parte de trás do calção do uniforme do Corinthians.

Bolsonaro foi o candidato mais votado no município no primeiro turno das eleições, com 60,52% dos votos. Lula ficou com 33,34%.

Em grupos de WhatsApp, circula um texto dizendo que funcionários relataram ao MPT que estão sofrendo pressão para votar em Bolsonaro. De acordo com o material, eles estariam recebendo conteúdo partidário em seus números pessoais e sendo chamados dentro da fábrica para ouvirem dos diretores sobre os motivos para eleger o candidato à reeleição.

A pressão estaria sendo feita por Franzotti e pela prefeita de Potirendaba, Gislaine Montanari Franzotti (PTB), que também é sócia da Poty. Em sua conta do Instagram, a prefeita possui diversas fotos ao lado de Bolsonaro.

Procurada por email no fim da manhã desta sexta, a Prefeitura de Potirendaba não respondeu ao pedido de comentário até a publicação desta reportagem.

As denúncias de assédio eleitoral explodiram durante a campanha para o segundo turno das eleições. Até a última sexta-feira (21), o MPT havia recebido 1.112 denúncias em todo o país. O número representa um grande aumento em relação às eleições de 2018, quando o MPT recebeu 212 denúncias.

Em função disso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), acertou com líderes partidários nesta terça-feira (25) a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar casos de assédio eleitoral supostamente praticados por empresários e gestores públicos em favor de Bolsonaro.

ONDE DENUNCIAR ASSÉDIO ELEITORAL

- Site do MPT: mp.br/pgt/ouvidoria

- Pelo aplicativo MPT Ouvidoria, para dispositivos Android

- Pelo aplicativo Pardal, que também se comunica com o MP Eleitoral, para IOS e Android

- No sindicato de cada categoria

- No Ministério Público Federal

- Nas procuradorias regionais