MSF suspende atendimento em El Salvador por ataque a ambulância

·2 minuto de leitura
Paramédicos da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) se higienizam depois de ajudar um paciente com suspeita de covid-19 em Ilopango, El Salvador, em 30 de julho de 2020.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou neste domingo (31) que suspendeu suas atividades assistenciais em áreas dominadas por gangues na periferia leste de San Salvador, depois que uma de suas ambulâncias foi atacada por um grupo armado, deixando dois feridos.

A equipe formada por um médico e um auxiliar de enfermagem que dirigia e ambulância "foi atacada e agredida por um grupo armado" depois das três da manhã, enquanto seguiam para prestar atendimento médico no Reparto Las Cañas, em Ilopango, cerca de 7 km a leste de San Salvador, disse à AFP o coordenador da MSF, Luis Romero.

“No momento, todas as nossas atividades médicas estão suspensas, mas não canceladas, até que possamos investigar e que nossas intervenções possam ser realizadas com segurança”, disse Romero.

Após o violento incidente, o médico e o enfermeiro foram ajudados por outra unidade da MSF, que os transferiu para um hospital do Instituto Salvadorenho de Previdência Social.

"Atualmente, nossos colegas se encontram estáveis e estão sendo acompanhados por um médico", disse Romero. “Estamos indignados e tristes e apelamos aos atores armados (gangues) e à sociedade civil em geral a respeitarem a missão médica".

Nossa ação é neutra, imparcial e independente e prestamos ajuda às pessoas na hora de sua maior necessidade”, enfatizou o coordenador da MSF.

A organização MSF é uma esperança de assistência médica para as populações que sofrem com a pandemia de covid-19 em áreas dominadas por gangues criminosas, onde a saúde pública não chega.

El Salvador é um dos países mais violentos do mundo e encerrou 2020 com 1.322 homicídios, o que significou uma média de 20 mortes por 100.000 habitantes, um número menor em relação a 2019 e o menor desde o fim da guerra civil em 1992. Em 2019, registrou 2.398 homicídios, ou seja, 36 mortes por 100.000 habitantes.

As gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18, entre outras, têm cerca de 70.000 membros em El Salvador, mais de 17.000 estão presos e envolvidos em extorsão, tráfico de drogas e outras atividades ilegais.

cmm/mav/lda/jc/mvv