MST criou tumulto para impedir reintegração, diz advogado de fazenda

JOÃO PEDRO PITOMBO

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Um dia depois de três integrantes do MST (Movimento Rural dos Trabalhadores Sem-Terra) serem baleados na fazenda Norte América, em Capitão Enéas (MG), os proprietários do estabelecimento negaram que tenham praticado atos violentos contra os sem-terra.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (10), Marcia das Graças Andrade, dona da fazenda, afirma que o MST agiu para "propagar mentiras com o exclusivo intuito de desestabilizar a atuação da Polícia Militar e do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais no caso".

Desde janeiro deste ano, cerca de 650 famílias ocupam a Fazenda Norte América, que foi alvo de uma decisão liminar de reintegração de posse, em favor dos donos da fazenda. A decisão foi expedida em 21 de fevereiro pelo juiz Octávio de Almeida Neves, da Vara Agrária de Minas Gerais.

À reportagem, o advogado da proprietária da fazenda, Élcio Carneiro, afirma que o MST "provocou uma situação" para conturbar o cumprimento da ordem judicial e impedir a reintegração de posse das terras.

"Eles dizem que foram alvos de uma tocaia, mas estão tentando se fazer de vítima. Foram os sem-terra, alguns deles armados, que tentaram invadir a sede da propriedade de forma agressiva, inclusive tomando funcionários como reféns", afirma o advogado.

Coelho nega que os tiros que atingiram três integrantes do MST tenham partido de proprietários da fazenda. Diz que apenas foram disparados "foguetes" para dispersar as famílias de sem-terra.

No domingo (9), a polícia prendeu em flagrante dois funcionários da fazenda por porte ilegal de arma. Eles foram encaminhados para uma penitenciária em Montes Claros (MG).

EMBOSCADA

Segundo relato dos integrantes do MST, as famílias foram até a sede da fazenda para uma reunião com o administrador do local, mas foram recebidas com uma emboscada: tiros foram disparados de um carro com cerca de dez homens armados na carroceria.

As vítimas afirmam que o empresário Leonardo Andrade, ex-secretário de Agricultura de Montes Claros e filho da dona da fazenda, estava dirigindo o carro "enquanto os pistoleiros atiravam continuamente de cima da carroceria".

De acordo com o MST, há uma negociação em curso para que a fazenda seja destinada à reforma agrária. Os proprietários negam: afirmam que a fazenda é "altamente produtiva", com produção agrícola irrigada, criação de 1.000 bovinos e 600 equinos, além de atividade de inseminação artificial in vitro dos animais.

A Polícia Militar afirma que a reintegração de posse da fazenda ainda não foi executada porque está em fase de planejamento.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Montes Claros. Os três integrantes do MST atingidos pelos tiros receberam alta do hospital e passam bem.