MST protesta em frente à Samarco em Mariana (MG) 6 anos após tragédia

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BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocupam na manhã desta sexta-feira (5) a entrada da mineradora Samarco no município de Mariana, em Minas Gerais, em protesto pelo rompimento da barragem de Fundão ocorrido há seis anos, em 5 de novembro de 2015.

O movimento afirma que 500 pessoas participam do ato. A rodovia que dá acesso à unidade da empresa em Mariana foi fechada pelos manifestantes. Faixas foram colocadas em frente ao portão da unidade.

Uma, em inglês, diz que as mineradoras BHP Billinton, a Vale e a Samarco estão minando o futuro. A Samarco é uma joint venture formada pelas outras duas empresas. A polícia foi acionada e está no local.

O MST afirmou que 2,7 mil famílias em 23 assentamentos do movimento ao longo do Rio Doce, atingido pela lama que desceu da barragem, foram impactadas pela tragédia.

O representante do MST em Minas, Silvio Netto, disse que até hoje não houve a implantação de um programa de reativação econômica para as famílias.

"Não vamos sair daqui enquanto não houver uma resposta da empresa para a situação atual dos assentamentos atingidos", declarou Netto, que coordena o protesto em frente à Samarco. Em nota, a empresa afirmou que não houve paralisação da unidade.

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, matou 19 pessoas e destruiu o distrito de Bento Rodrigues, que ficava no município. A lama chegou ao Rio Doce e percorreu toda a extensão do curso d´água até sua foz no distrito de Regência, em Linhares, no Espírito Santo, causando a destruição de animais e florestas.

O Levante Popular da Juventude e o Movimento pela Soberania Popular na Mineração também participam do protesto, que tem como lema "o lucro não vale a vida".

"É importante ressaltarmos que esse modelo de mineração cria problemas ambientais e sociais, gera baixa arrecadação aos municípios, cria dependência e empregos que oferecem risco a toda a população mineira. Enquanto isso, toda a riqueza explorada beneficia o capital estrangeiro, materializado em empresas como a Samarco, a Vale e a BHP", declarou Netto.

A integrante da direção nacional do MST, Esther Hoffmann, defendeu que o setor de mineração inclua a população na discussão de projetos.

"Quando nós (os movimentos sociais) propomos um projeto popular de mineração, regulado pela necessidade social, com a participação das comunidades, além de instrumentos de fiscalização mais eficazes e prevenção de desastres, estamos pautando a vida acima do lucro, estamos defendendo a soberania do nosso país e os nossos direitos a uma vida digna com moradia, alimentação saudável, saúde, entre outras", pontuou.

A Samarco afirmou ainda que "segue firme em seu compromisso com as ações de reparação e compensação dos impactos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, que jamais serão esquecidos pela empresa".

A Fundação Renova, criada pelas mineradoras para se encarregar da reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem em Mariana afirmou que até setembro de 2021 foram pagos R$ 6,5 bilhões em indenizações e auxílios financeiros emergenciais.

Segundo informações de moradores de Mariana, o trânsito na cidade apresentou complicações na manhã desta sexta-feira. Porém, em função de um outro protesto, de funcionários de empresas de transporte que reivindicavam aumento salarial. Esta manifestação já foi encerrada.

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