Muçulmanos protestam na Ásia após declarações controversas do governo indiano

Fiéis muçulmanos tomaram as ruas em várias cidades da Ásia após as orações desta sexta-feira (10) em resposta ao escândalo gerado pelas declarações sobre o profeta Maomé de uma autoridade do partido no poder na Índia, que desencadearam uma tempestade diplomática.

A indignação tomou conta do mundo islâmico desde que, na semana passada, Nupur Sharma, porta-voz do partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, fez um comentário na televisão sobre a relação entre Maomé e a mais jovem de suas esposas.

A porta-voz foi suspensa do partido e, desde então, cerca de 20 países convocaram os embaixadores indianos em seu território.

Após as orações desta sexta, coincidindo com o dia sagrado dos muçulmanos, aconteceu um dos maiores protestos na Ásia, com cerca de 100.000 pessoas em Bangladesh, segundo a polícia.

"Nos reunimos hoje para protestar pelos insultos de autoridades do governo indiano contra nosso profeta", disse Amanullah Aman, um manifestante em Daca, capital de Bangladesh. "Pedimos a pena de morte para eles".

Os manifestantes gritavam slogans contra Modi e para dizer aos inimigos dos muçulmanos que tenham "cuidado".

No Paquistão, Tehreek-e-Labbaik, um partido religioso radical conhecido por denunciar frequentemente a blasfêmia em seus comícios, mobilizou cerca de 5.000 pessoas em Lahore, no nordeste, perto da fronteira com a Índia.

"O profeta do Islã é nossa linha vermelha. Seja na Índia, ou em qualquer outro lugar, os defensores do Islã não ficarão calados", afirmou o professor Irfan Rizvi.

Os muçulmanos da Índia (cerca de 200 milhões de pessoas) também se manifestaram em muitas cidades do país, como em Nova Délhi.

As autoridades da Caxemira administrada pela Índia cortaram a Internet neste território conflituoso, restringiram as orações nas mesquitas e impuseram um toque de recolher para sexta-feira.

Na Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, cerca de 50 manifestantes protestaram em frente à embaixada indiana na capital Jacarta.

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