Polícia da Etiópia prende pelo menos 12 opositores e jornalistas

Adis Abeba, 26 mar (EFE).- Pelo menos 12 opositores, jornalistas e blogueiros foram detidos ontem pela Polícia na Etiópia, onde vigora o estado de emergência declarado pelo governo em fevereiro, denunciou um grupo defensor dos direitos humanos nesta segunda-feira.

As prisões aconteceram nos arredores de Adis Abeba durante uma reunião para comemorar a recente libertação de vários repórteres e políticos, informou a Associação para os Direitos Humanos na Etiópia (AHRE) em comunicado. As pessoas foram detidas por supostamente exibir uma antiga bandeira da Etiópia, que não inclui o emblema do atual regime, indicou o jornal local "Ethiopia Observer".

Entre os detidos estão os jornalistas Eskinder Nega, solto no mês passado após seis meses de prisão por "crimes de terrorismo", e Temesgen Desalegn, diretor do extinto jornal "Feteh" e organizador da reunião, segundo a AHRE. Também está entre os detidos o conhecido político opositor Andualem Aragie, que foi libertado há menos de um mês em uma anistia decretada pelo governo. Além disso, a AHRE disse ter obtido informação da detenção de 19 pessoas, a maioria professor universitário, no sábado passado na cidade de Bahir Dar, onde eles pediam apoio para a formação de um novo partido político.

"Pedimos ao governo a libertação de todos os presos políticos e a manutenção de um diálogo inclusivo e verdadeiro para começar um processo de reforma muito necessário no país", ressaltou o grupo.

O primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn, declarou o estado de emergência por seis meses, podendo ser prorrogado, em 16 de fevereiro, um dia depois de anunciar a sua renúncia. A Etiópia vive protestos e greves nas regiões de Oromia e Amhara, onde vivem os dois principais grupos étnicos do país e onde morreram pelo menos dez pessoas por enfrentamentos com a Polícia.

Em 24 de fevereiro, a organização Human Rights Watch (HRW) reprovou o estado de emergência porque, segundo afirma, implica um grave risco de violação de direitos humanos e de reduzir ainda mais o "espaço" para "uma atividade política pacífica" na Etiópia. EFE