Múcio contrariou Lula e se opôs a expulsão de bolsonaristas de QG do Exército

Posicionamento teria desgastado ainda mais início de relação com o presidente

Múcio contrariou Lula com opinião sobre acampamento (SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Múcio contrariou Lula com opinião sobre acampamento (SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
  • José Múcio foi de encontro à opinião de Lula sobre acampamento bolsonarista no QG do Exército

  • Ministro da Defesa defendeu que golpistas deixassem o local consensualmente

  • Segundo relatos, argumento desgastou ainda mais a relação com o presidente

Ministro da Defesa, José Múcio manifestou-se contrariamente à opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu que os manifestantes bolsonaristas não fossem expulsos do QG do Exército, em Brasília.

De acordo com informações da coluna de Guilherme Amado no portal Metrópoles, Múcio considerou que os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixassem o local "consensualmente".

A opinião foi emitida durante reunião na última sexta-feira (6). Múcio considerou que o acampamento dava sinais de diminuição naturalmente, indo de 40 mil para cinco mil pessoas, e defendeu uma abordagem mais lenta.

Imediatamente, porém, foi rebatido por Lula, que divergiu do argumento do ministro e considerou que as manifestações golpistas no local já haviam "passado do limite".

Lula recebeu respaldo do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que também considerou necessária a expulsão dos bolsonaristas.

À coluna de Guilherme Amado, outros ministros consideraram que o posicionamento de Múcio o desgastou ainda mais com o presidente.

Mesmo assim, o ministro ficou responsável por lidar com o acampamento golpista e encerrá-lo, o que aconteceu nesta segunda-feira (9).

Mais de mil presos

Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinar a desocupação do acampamento bolsonarista em frente ao QG do Exército, em Brasília, a Força Nacional de Segurança chegou por volta das 7h no local para cumprir a determinação.

Na ocasião foram presas cerca de 1.200 pessoas pela Polícia Federal (PF), em frente ao QG e ao menos 40 ônibus foram necessários para levarem os radicais bolsonaristas para a superintendência da PF. Os manifestantes aceitaram entrar nos ônibus sem oferecer resistência.

Logo nas primeiras horas desta segunda (9), parte dos manifestantes já havia começado a se desmobilizar. Outros, entretanto, continuaram acomodados em barracas e estruturas com lonas instaladas no espaço.

A operação foi feita pela tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal e pela Polícia do Exército. Foram usados carros blindados, polícia montada e grande contingente para cercar os manifestantes.

A decisão de acabar com os acampamentos, ocorreu na madrugada desta segunda, depois que milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram protestar em Brasília, neste domingo (8), na ocasião, invadiram e depredaram prédios públicos, como o Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

Moraes determinou a "desocupação e dissolução total" de todos os acampamentos golpistas montados em frente aos quartéis em um prazo de 24 horas.