Mudança de hábitos para driblar preços altos; confira dicas para economizar combustível e gás de cozinha

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O que o brasileiro pode fazer para economizar diante da disparada de preços dos combustíveis e do gás de cozinha? A gasolina passa de R$ 7 nas bombas de todo o país, o etanol e o GNV também apresentam altas consecutivas nos postos, e o botijão de gás chega a custar R$ 110 em algumas localidades do Rio. Isso sem contar o preço da energia elétrica, que está na bandeira de escassez hídrica, aquela que acrescenta R$ 14,20 à fatura mensal a cada 100kWh (quilowatts-hora) consumidos.

Segundo o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e mestre em Planejamento Energético pela Coppe/UFRJ, esses aumentos impactam a inflação e atingem os mais pobres. Mas algumas medidas podem ajudar o consumidor a economizar um pouco. Confira a seguir.

— O governo tem que criar uma política pública para conter esses preços. Não só do combustível, mas também da energia elétrica — adverte Adriano Pires, que exemplifica: — Um casal, por exemplo, que utiliza botijão de gás e tem um veículo e eletrodomésticos em casa compromete, pelo menos, mil reais em energia.

Ele chama a atenção ainda para a necessidade de se criar uma cultura de negociar o preço do combustível, como acontece nas lojas.

— O consumidor pode tentar negociar no posto e perguntar se o pagamento à vista tem desconto — avalia o economista, acrescentando que essa mudança de mentalidade deve partir do próprio consumidor, que pode ditar uma mudança no mercado.

Ainda de acordo com ele, a mudança da gasolina para o Gás Natural Veicular (GNV) pode ser uma boa alternativa para longas distâncias:

— O GNV tem uma vantagem grande, principalmente para quem usa muito o carro, pois é mais barato em quilômetro por litro.


Peso do carro interfere

Mas o bom rendimento, segundo os especialistas do setor, depende da regulagem do kit-gás em oficina credenciada para o bom funcionamento do veículo. Além disso, evite andar com o porta-malas cheio de objetos sem necessidade, porque o peso excessivo no carro aumenta o consumo.

Em geral, a alta do combustível impacta vários setores, porque eleva a inflação, já que todos os preços da economia aumentam junto.

— Se não houver um controle de preços, as pessoas vão para as ruas. O governo tem que buscar uma solução — afirma Adriano Pires.

Uma outra dica do economista Tiago Sayão, professor do Ibmec/RJ, é optar por bicicletas — hoje fáceis de alugar —, caso a pessoa tenha que percorrer sozinha alguns trajetos curtos. Já em relação ao gás de botijão, o GLP, algumas medidas simples ajudam a controlar o consumo.

— O gás de botijão não tem um substituto perfeito, e uma das possíveis alternativas, o uso de energia elétrica, pode comprometer ainda mais o orçamento. Priorize o consumo de alimentos que demandem menos tempo de cozimento e evite o desperdício — orienta.

Para ter certeza de que o consumo do carro está normal, o professor Marcos Feghali, professor Engenharia Mecânica do Ibmec/RJ, aconselha que os motoristas monitorem a duração do combustível. Por exemplo, após encher o tanque, o motorista pode rodar 200km e anotar quanto foi gasto. Em seguida, encher o tanque novamente e repetir o procedimento, sempre anotando a quilometragem. Caso perceba que o consumo está aumentando, é importante levar a um mecânico para verificar se há algum problema.

Outra dica que ajuda a gastar menos é usar aplicativos de trânsito, como o Waze.

— Eles mostram se há algum engarrafamento ou acidente, e o motorista pode desviar o trajeto. Com isso, economiza combustível e tempo. Até mesmo nos trajetos que conhecemos, o recomendável é checar antes para evitar surpresas e congestionamentos.

‘A gasolina comum custa R$ 7,696’

— Os aumentos de preços dos combustíveis têm assustado os moradores de Mambucaba, em Paraty, na Costa Verde. O litro da gasolina comum na região está custando R$ 7,696, enquanto o da aditivada sai por R$ 7,896. Praticamente R$ 8. Com o etanol, a situação não é muito diferente: o litro está custando R$ 6,995 nos postos. Já o óleo diesel, que é o tormento dos caminhoneiros, custa R$ 5,695 o litro. Essa é a realidade da nossa região. Por isso, para trajetos curtos, agora uso bicicleta — diz o engenheiro Leandro Nogueira, de 35 anos, morador de Mambucaba, Paraty, na Costa Verde.

Marcos Feghali, professor de Engenharia Mecânica do Ibmec/RJ, chama a atenção para três pontos principais quando o assunto é economia de combustível: a manutenção adequada do automóvel, a forma correta de dirigir e a qualidade do combustível utilizado.

De acordo com o especialista, fazer as revisões regulares no veículo, trocando velas e filtros, ajuda a garantir que o motor terá um bom rendimento, consumindo menos combustível. O mesmo ocorre com a calibragem dos pneus, que também têm que estar com bom alinhamento e balanceamento.

Em situações de trânsito lento e engarrafamentos, onde o consumo de combustível costuma ser maior, o professor ressalta que o motorista deve tentar manter uma velocidade frequente sempre que possível, evitando arrancadas e freadas bruscas.

Em relação ao tipo de gasolina utilizada, Feghali afirma ser importante se certificar de que o combustível que está sendo colocado no carro é de qualidade. No entanto, optar pela gasolina aditivada, que é ainda mais cara, não gera necessariamente um consumo mais eficiente do veículo.

— Em termos de economia, não vale a pena. O aditivo ajuda mais na durabilidade do motor. A longo prazo, se o motor está mais bem conservado, até vai consumir menos. Mas o motorista teria que usar sempre a gasolina aditivada para isso acontecer — pondera Feghali.

A escalada do preço dos combustíveis pode levar o índice de inflação a fechar o ano em dois dígitos, alertam os especialistas. Isso porque, com a alta global dos preços do petróleo, tudo indica que os litros de diesel e gasolina voltarão a subir nos próximos meses.

De janeiro a setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,9%. Como os combustíveis têm sido um dos vilões da inflação, o índice oficial pode chegar a dezembro acima dos 10%, se continuarem subindo. No ano, a gasolina acumula alta de 73%; o diesel, de 65,3%.

Confira:

Como o transporte influencia os custos de praticamente todos os setores da economia, a difusão do efeito da alta dos combustíveis nos outros preços é rápida. O centro da meta de inflação, em 2021, é de 3,75%, podendo variar de 2,25% a 5,25%. As projeções do mercado já estão bem acima do teto de tolerância da meta, que o BC admite que não vai conseguir cumprir.

A pressão dos combustíveis é sentida em dobro, porque ela pesa não apenas na hora de encher o tanque, mas também nos produtos e serviços pagos, como fretes, passagens e alimentos, explica o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.


— Realize a manutenção preventiva do veículo no prazo adequado e com profissionais habilitados.

— Faça calibragem rotineira dos pneus.

— Mantenha o alinhamento e balanceamento em dia.

— Evite (se possível) o uso de ar-condicionado na cidade.

— Se houver a possibilidade de abastecer com álcool, lembre-se da regra dos 70% utilizada para avaliar com qual combustível é mais vantajoso abastecer.

— Se possível faça a conversão do automóvel para Gás Natural Veicular (GNV).

Evite abrir o forno

Sabemos que pode ser difícil resistir à tentação de abrir o forno de tempos em tempos para saber como está o alimento. No entanto, ao abrir, o forno demora mais para voltar à temperatura ideal e, assim, gasta mais gás.


Tampe as panelas

Panelas tampadas aproveitam mais a chama, cozinhando mais rápido, já que o calor não se dissipa para o ar. Já em panelas abertas acontece justamente o contrário.


Corte os alimentos em pedaços menores

O tempo de uso é determinante para a economia de gás. Por isso, saiba que, quanto menor o corte do alimento, menos tempo ele levará para ser cozido.


Planeje suas refeições

Uma boa dica é reservar um dia para planejar e cozinhar as suas refeições da semana. Isso é benéfico não só para diminuir o tempo de uso do fogão e economizar gás de cozinha, mas também torna o dia a dia muito mais prático.

Mantenha o fogão limpo

A chama do fogão está laranja ou amarelada? É sinal de que as bocas estão sujas ou com mau funcionamento. Nesses casos, o fogão precisa se esforçar mais para dar conta, gastando mais gás.


Use panela de pressão quando possível

Embora muitas pessoas tenham medo de usar a panela de pressão, aprender a utilizá-la pode ajudar você a economizar gás, já que ela cozinha os alimentos em menos tempo.

Uma boa dica, no caso de grãos como feijão e grão-de-bico, é deixá-los de molho por, pelo menos, 12 horas. Dessa forma, os grãos ficam mais macios, facilitando ainda mais o cozimento.

Evite a passagem de vento

Se na cozinha tem uma janela que permite a passagem de vento diretamente para o seu fogão, vale a pena fechá-la enquanto cozinha. Isso porque o vento diminui a potência das chamas do fogão, exigindo mais tempo para que a panela atinja a temperatura ideal.

Conheça o seu fogão

Geralmente, podemos utilizar um fogão por vários anos sem problemas. Porém um fogão velho pode ter bicos entupidos e dificuldade de acender as chamas, propiciando o escape de gás. Vale lembrar que, além de gastar mais GLP do que o necessário, o escape do gás de cozinha pode colocar a sua segurança em risco.

Cozimento a vapor

Que tal aproveitar o cozimento de um alimento que está na panela para colocar uma escorredeira metálica em cima e já cozinhar outros alimentos no vapor, como os legumes? Assim, você gasta a mesma quantidade de gás para cozinhar uma quantidade muito maior de alimentos!

Use bocas do fogão adequadas

Colocar uma panela pequena em uma boca grande é desperdício do gás de cozinha.

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