Mudança tática do Japão, comodismo alemão e mais: especialistas explicam derrota de virada da Alemanha na Copa

O revés da Alemanha na estreia pela Copa do Mundo do Catar, de virada, por 2 a 1, contra o Japão, foi mais uma zebra na primeira fase deste Mundial. Para construir o resultado no segundo tempo, depois de sair para o intervalo sem levar quase perigo algum aos alemães, a seleção dirigida pelo técnico Hajime Moriyasu contou com novidades saídas do banco de reservas, variações táticas e também com a dificuldade da Alemanha em definir o resultado, segundo especialistas e colunistas do GLOBO.

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Para o colunista Carlos Eduardo Mansur, o Japão expôs fragilidades da Alemanha desde a volta do intervalo, quando equilibrou o jogo ao lançar o zagueiro Tomiyasu no lugar do meia-atacante Kubo, formando uma linha de cinco defensores. À medida que o tempo corria, o treinador Hajime Moriyasu acumulou jogadores ofensivos: primeiro, lançou o meia Mitoma no lugar do lateral-esquerdo Nagatomo, numa substituição casada com a entrada do atacante Asano — autor do segundo gol — na vaga do também atacante Maeda.

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Depois, o treinador japonês aumentou a aposta com os meia-atacantes Doan e Minamino nos lugares do volante Tanaka e do lateral-direito Sakai. O empate do Japão veio no minuto seguinte a esta substituição, aos 30 da segunda etapa, com Doan.

— A mudança tática do Japão permitiu equilibrar o jogo e expôs problemas que, no primeiro tempo, Rüdiger conseguia disfarçar. A Alemanha se sente claramente desconfortável tendo que defender em seu campo, e é frágil quando não consegue fazer o jogo correr à sua maneira — avaliou Mansur.

O colunista Martín Fernandez avalia que os alemães pecaram ao não aproveitar o primeiro tempo, quando tiveram mais de 70% de posse de bola, para ampliar o resultado. Depois que Gündogan abriu o placar, de pênalti, a Alemanha chegou a balançar a rede com Havertz, mas o gol foi anulado por impedimento.

No início da segunda etapa, a Alemanha também teve bons momentos com infiltrações do talentoso meia-atacante Musiala em combinações com Gündogan e Gnabry, mas o goleiro japonês Gonda fez grandes defesas.

— A Alemanha fez um primeiro tempo impecável, não permitiu nem sequer contra-ataques ao Japão. Não seria nenhuma injustiça se a vantagem (do primeiro tempo) fosse de dois ou três gols. Perdoou o rival e pagou por isso no segundo tempo. As mudanças táticas do Japão encheram a Alemanha de dúvidas e hesitações, tanto com a bola quanto sem. Terminou premiada a seleção mais corajosa — analisou Martín.

O comentarista Paulo César Vasconcellos, do Sportv, colunista especial do GLOBO na Copa do Mundo, avalia que a Alemanha perdeu o controle do meio-campo de vez com a saída de Gündogan, aos 22 minutos. O volante, além de autor do gol, era um dos nomes mais perigosos dos alemães até então.

— O roteiro do jogo mudou depois disso. Noves fora o comodismo alemão a partir da vantagem, os japoneses foram organizados e corajosos — apontou Vasconcellos.

Para o apresentador do Sportv e colunista especial do GLOBO na Copa, Marcelo Barreto, o bom resultado das substituições do técnico japonês Moriyasu não se repetiu nas decisões do treinador da Alemanha, Hansi Flick, ao longo da partida:

— Sem Gündogan, a Alemanha ficou muito dependente de Kimmich na criação. Deu a impressão de que considerava o jogo resolvido e optou por controlar o resultado no segundo tempo. A postura dos jogadores do Japão em campo refletiu a do treinador, que mexeu no time para torná-lo mais ofensivo no segundo tempo.