Mudanças climáticas podem devastar Oriente Médio e Mediterrâneo Oriental, dizem cientistas

Homem carrega vara de pescar durante pôr do sol ao longo da costa na cidade mediterrânea de Alexandria

NICÓSIA (Reuters) - As mudanças climáticas podem ter um efeito devastador na vida de milhões de pessoas no Mediterrâneo Oriental e no Oriente Médio, onde as temperaturas estão subindo quase duas vezes mais rápido que a média global, alertou uma equipe internacional de cientistas.

A região pode ver um aquecimento geral de até 5°C ou mais até o final do século em um cenário de manutenção do padrão atual, segundo um relatório preparado pelo Instituto Chipre.

Esse pico de temperatura foi quase o dobro do previsto em outras áreas do planeta e mais rápido do que qualquer outra parte habitada do mundo, mostrou o documento.

O relatório, preparado sob os auspícios do Instituto Max Planck de Química e do Centro de Pesquisa do Clima e Atmosfera do Instituto Chipre, será apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), que acontecerá no Egito em novembro.

Uma combinação de chuvas reduzidas e aquecimento climático contribuirá para secas severas, comprometendo a segurança hídrica e alimentar, com muitos países despreparados para o aumento do nível do mar, disse um especialista.

"Este (cenário) implicaria sérios desafios para a infraestrutura costeira e agricultura, e pode levar à salinização de aquíferos costeiros, incluindo o Delta do Nilo densamente povoado e cultivado", disse George Zittis, do Instituto de Chipre, autor do relatório.

O cumprimento das principais metas do Acordo de Paris, um pacto global de países para reduzir as emissões, pode estabilizar o aumento anual da temperatura em cerca de 2°C.

Os cientistas recomendam a rápida implementação de ações de descarbonização com ênfase especial nos setores de energia e transporte.