Mudança de postura no final pode custar caro ao Brasil na Copa

(Pier Marco Tacca/Getty Images)

O Brasil venceu a Itália por 1 a 0 na tarde desta terça-feira (18), em Valenciennes. O gol saiu pelos pés de Marta, que cobrou um pênalti sofrido por Debinha, chegou a 17 gols em Copas do Mundo e se tornou a maior artilheira da história da competição, entre homens e mulheres, ultrapassando o alemão Miroslav Klose.

Apesar do resultado positivo, a seleção brasileira ficou em terceiro lugar no Grupo C, com os mesmos seis pontos da líder Itália e da segunda colocada Austrália – que atropelou a Jamaica por 4 a 1 e levou a melhor no saldo de gols.

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A poucos minutos do final do jogo, precisando de apenas um gol para se classificar em primeiro lugar da chave e evitar uma pedreira como França ou Alemanha, possíveis adversários nas oitavas, o Brasil mudou a postura: diminuiu o ritmo e passou a jogar para administrar o resultado. Lembrando que o time poderia ter avançado mesmo com um empate, o que torna a ideia do treinador de recuar o time ainda menos compreensível.

Na saída de campo, o treinador mostrou que sabia que o time estava a apenas um gol de passar em primeiro. “Não dá para escolher adversário. Precisava de mais um gol para pegar outra equipe [que não as primeiras colocadas dos grupos], mas infelizmente a gente não conseguiu, mas conseguiu a classificação. O grupo era muito equilibrado”, disse.

Voltando ao jogo, apesar da recuada no fim, o Brasil foi bem na partida. Sem Formiga, suspensa, e Andressa Alves, cortada da Copa por lesão muscular, a equipe precisou sair da pressão italiana nos primeiros minutos de jogo, quando Bonansea obrigou Bárbara a fazer um defesa.

A Itália soube explorar a maior deficiência do Brasil no jogo, o lado direito da defesa, onde estavam a lateral Letícia Santos e a zagueira Kathellen, substitutas das titulares Fabi Simões e Érika, cortadas da Copa por lesões musculares. Por toda a partida Mônica teve que inverter o lado com Kathellen para ajudar na marcação da camisa 10 da Itália, Girelli, e até Marta teve que voltar para ajudar na cobertura.

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As brasileiras criaram mais chances na bola parada e tiveram três escanteios na sequência. Em um deles, Debinha desviou com toque de letra e quase enganou a goleira Giuliani. Sem articulação efetiva no meio-campo, a estratégia era lançar a bola para Cristiane e Ludmila na área, onde a defesa italiana estava ligada, ou então arriscar de fora, como fez Debinha.

Aos 28 minutos, após uma trapalhada da defesa brasileira, Girelli recebeu sozinha na área, driblou Letícia Santos duas vezes e mandou para o fundo das redes, mas a assistente assinalou impedimento.

Apesar do resultado positivo, a seleção brasileira ficou em terceiro lugar no Grupo C, com os mesmos seis pontos da líder Itália e da segunda colocada Austrália. (Charlotte Wilson/Offside/Getty Images)

As subidas da lateral Tamires para o ataque deixaram espaços também do lado esquerdo, e as adversárias aproveitaram para avançar pelo setor, mas o Brasil foi salvo pelos cortes certeiros de Mônica e por mais uma grande defesa de Bárbara.

Debinha repetiu a boa atuação no segundo tempo e continuou buscando o jogo, com investidas em velocidade. Foi assim que sofreu a falta que Andressinha mandou no travessão. Em outra cobrança, a substituta de Formiga mandou na cabeça de Kathellen, que errou a pontaria.

Na metade do segundo tempo, Cristiane, que saiu com cãibras contra a Austrália, deu lugar a Bia Zaneratto, que já no primeiro toque na bola desviou um cruzamento de Ludmila e quase marcou de calcanhar. O Brasil voltou a pressionar: Debinha aproveitou passe de Marta e assustou a goleira Giuliani. Três minutos depois, em mais um lance corajoso da camisa 9, ela foi derrubada na área e a juíza marcou pênalti.

Foi Marta quem pegou a bola e foi para a cobrança. Bateu com categoria, no canto esquerdo, e se tornou a maior artilheira da história das Copas. Foi o sétimo gol dela de pênalti na competição.

Porém, em Grenoble, Sam Kerr ia fazendo a festa da Austrália contra a Jamaica. A atacante marcou quatro gols, e as Matildas conseguiram ultrapassar as brasileiras no saldo de gols, empurrando o time para o terceiro lugar do grupo.

Na reta final, um golzinho poderia fazer o Brasil saltar para a liderança. E Vadão sabia disso, como afirmou na entrevista pós-jogo, mas decidiu recuar o time. As brasileiras ficaram tocando a bola e foi a Itália que quase marcou: nos acréscimos, a goleira Bárbara teve que voar para fazer mais uma defesa.

Se tivesse ido para cima em busca do gol, o Brasil poderia ter pela frente China ou Nigéria, que foram medianas na primeira fase e são as possíveis adversárias da líder Itália. Em segundo, a Austrália vai enfrentar a Noruega. E as brasileiras esperam os demais resultados da rodada para saber quem será o adversário nas oitavas, a anfitriã França ou a bicampeã Alemanha, ambas com 100% de aproveitamento até aqui.

Obviamente é impossível projetar se o Brasil teria ou não feito mais um gol se tivesse tido ido para cima em vez de diminuir o ritmo nos minutos finais, mas não dá para entender porque um treinador recua o time quando o empate é indolor e a vitória por 2 a 0 pode fazer toda a diferença na sequência da competição. Uma mudança de postura que pode custar muito caro lá na frente.

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