Mudanças no Auxílio Brasil serão suficientes para garantir votos a Bolsonaro?

BRAZIL - 2021/11/11: In this photo illustration a Auxílio Brasil logo is seen displayed on a smartphone screen. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket (via Getty Images)

O governo Bolsonaro pretende gastar uma bala estimada em R$ 670 milhões para imprimir a sua marca ao Auxílio Brasil.

A motivação eleitoral é escancarada, já que boa parte dos beneficiários recebe os recursos em cartões com o logotipo do antigo Bolsa Família.

Na última pesquisa Datafolha, o ex-presidente Lula marcava 56% das intenções de voto entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, na qual está concentrada parte dos beneficiários do programa social. Neste segmento, Bolsonaro soma 20% das preferências.

De olho nesses eleitores, o governo anunciou que os novos cartões do Auxílio Brasil virão com chips e poderão efetuar compras em débito.

Mas os gastos e os esforços para imprimir a cara do presidente ao cartão podem ser inúteis.

Diferentemente do que imaginam os assessores palacianos, o desempenho de Bolsonaro entre os eleitores mais pobres não acontece porque eles ignoram quem é o responsável pelo Auxílio Brasil.

Segundo a pesquisa “A cara da democracia”, divulgada no começo da semana pelo jornal O Globo, 74% dos entrevistados sabem, sim, que foi o atual presidente o responsável pela criação do benefício –apenas 3% atribuem a “paternidade” do projeto ao rival petista.

A maioria dos eleitores (55%) sabe também que foi Lula o responsável pelo Bolsa Família.

Ou seja: os eleitores não são tão ignorantes como pensa o presidente nem precisam que o crédito do governo no benefício atual esteja, literalmente, desenhado no cartão.

O problema não é esse.

Esses eleitores, além de sentirem mais de perto os efeitos da inflação que corrói a renda e os empurram para a miséria, provavelmente concordam com especialistas em políticas públicas quando eles dizem que o Auxílio Brasil possui um desenho ineficiente e representa um retrocesso em relação ao Bolsa Família.

Isso porque existe o Auxílio Brasil prevê um valor mínimo para famílias independentemente do número de integrantes ou nível de pobreza, segundo estudiosos ouvidos pela Folha de S.Paulo.

Outro problema é que a fila de beneficiários só é zerada para quem estiver habilitado na data da implementação do programa. Se o país empobrecer ainda mais até lá, azar de quem chegou só depois na fila.

Os especialistas criticam também a extinção de conselhos de segurança alimentar que guiavam o antigo programa e o enfraquecimento do Cadastro Único, uma base de dados que servia como referência para identificar quem eram e onde viviam os brasileiros em situação de pobreza ou extrema pobreza.

A aposta no governo que extinguiu os colegiados e a participação popular nos programas é agora no aumento do benefício e no reforço às cores da bandeira. Talvez a adesão, ao menos até aqui, a outro candidato seja resultado da preferência dos beneficiários pelo modelo anterior.

As próximas pesquisas, que serão realizadas já com as mudanças em curso, podem indicar uma tendência ou os limites das medidas com hora e data para terminar: o fim da eleição.

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