Muito da incerteza fiscal tem a ver com o efeito das eleições, diz presidente do BC

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BRASÍLIA — O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira que parte relevante da incerteza fiscal do país está ligada às eleições do próximo ano.

Em um evento online, Campos Neto ressaltou que os números fiscais deste ano estão mais equilibrados do que o esperado antes da pandemia, mas que a eleição está trazendo efeitos negativos no mercado.

— Os participantes do mercado associam algumas mudanças estruturais, reformas estruturais, com a disposição de produzir um Bolsa Família melhor, um programa emergencial melhor com o processo eleitoral e isso cria um ruído — disse Campos Neto.

Nas últimas semanas, o mercado tem se preocupado com a resolução da questão dos precatórios. Para 2022, o governo tem de pagar R$ 89,1 bilhões em decisões judiciais sem possibilidade de recurso.

O governo tem tentado uma solução pelo Congresso, com a aprovação de uma PEC que permite o parcelamento desses pagamentos e outra pelo judiciário, onde o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estabeleceria um teto anual de pagamento, liberando espaço no Orçamento para uma mudança no Bolsa Família.

No entanto, a radicalização do presidente Jair Bolsonaro exposta nos eventos de 7 de setembro tem prejudicado o andamento de ambas as soluções.

Campos Neto afirmou que para resolver esses ruídos, o ideal é “virar a página” e o governo deixar claro qual é o tipo de programa que vai fazer e como vai ser financiado.

— Acredito que uma vez que você supera isso, muito do ruído vai diminuir. Infelizmente, as notícias ultimamente apontam para a outra direção, para a direção que ainda temos muito debate sobre com isso será feito — comentou o presidente do BC.

Campos Neto ainda disse que vê uma janela para aprovação de reformas por conta da vontade do Congresso. Como O GLOBO mostrou nesta quarta, a radicalização dos movimentos do presidente Bolsonaro tem colocado em risco o avanço da agena econômica.

— As reformas são muito importantes, nós ainda temos muitas reformas que precisam ser feitas. Ainda temos uma janela e o Congresso tem sido bem focado no avanço nas reformas.

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