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Moradores de rua de SP

“Ficar dois dias sem arroz e feijão já é complicado. O corpo pede isso”. – Damião Pereira, 39 anos (Foto: Mel Coelho)

Muito mais que 'farinata': o que quem vive nas ruas de SP quer comer?

Por Rosana Pinheiro/Agência PLANO

Fotos: Mel Coelho

Artesãos, artistas, desempregados. As ruas de São Paulo são casa para pessoas de todo tipo. Gente que, por escolha ou necessidade, faz do asfalto seu lar. As dificuldades são muitas, e, conseguir comida, talvez a principal. “Faz dois dias que eu não sei o que é arroz e feijão”, conta Damião Pereira, 39 anos. “É complicado, o corpo pede”.

Nesta semana, viralizou na internet um vídeo de 2011 em que o prefeito João Dória, então apresentador do reality Aprendiz, da TV Record, diz que “gente humilde, pobre e miserável não tem hábitos alimentares” e que “o mínimo que o pobre quer é comer”. O debate surgiu com a nova ação da prefeitura, o programa Alimento Para Todos, que consiste na distribuição de uma ração humana chamada de “farinata” para a população de rua.

Dória minimizou a repercussão do vídeo, dizendo que as falas foram tiradas de contexto. Mas ainda tenta emplacar o processamento de alimentos que estão perto da data de vencimento. Ontem, (19), voltou atrás da decisão de incluir a ração na merenda escolar, mas reafirmou que a “farinata” será distribuída a pessoas em situação de rua.

O Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de São Paulo (Comusan) se opôs à medida. “A iniciativa não foi encaminhada para apreciação do Conselho”, afirmou em nota a presidente Christiane Gasparini, e “não se alinha às diretrizes que vimos construindo com vistas a facilitar o acesso de toda a população à ‘comida de verdade”. O Ministério Público, por meio da Promotoria de Direitos Humanos, abriu investigação sobre o valor nutricional do produto.

Em São Paulo, perguntamos para pessoas que vivem a rotina das ruas o que elas gostam de comer. E as respostas vão muito além de preencher um espaço no estômago. “Pratada nervosa de arroz, feijão preto e cupim fatiado”. Veja os depoimentos na nossa galeria.