Mujica defende a legalização da cocaína: 'é preciso de muita coragem política'

Foto: REUTERS/Tony Gentile

José ‘Pepe’ Mujica, ex-presidente e atual senador uruguaio, defendeu a legalização da cocaína no país em uma entrevista à emissora mexicana Televisa. Em 2013, sob seu mandato, o Uruguai legalizou o consumo de maconha.

“Deveríamos ter a coragem de legalizar o consumo de cocaína, registrar os consumidores e identificá-los”, disse o ex-presidente, de 84 anos. “E aí vamos ter um problema médico, mas, no lugar de gastar em aparatos de repressão, vamos gastar com enfermeiros. (…) Mas para isto tem que haver muita coragem política”, frisou o senador.

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Questionado sobre a situação do Uruguai após a legalização da maconha, Mujica fez questão de ressaltar que é contra as detenções causada pela chamada ‘guerra às drogas'.

“Eu acho ridículo prender um menino por fumar um cigarro. Eu não recomendo nenhuma droga, pelo contrário”, disse. "Por que existe o narcotráfico? Por dois motivos: porque existem consumidores e porque proibimos o consumo. E ao proibir, o transformamos em um negócio fantástico, porque tudo que é proibido custa muito mais", reiterou Mujica, tido com um dos políticos mais progressistas do continente.

Foi também na sua gestão que nativos maiores de 18 anos ou estrangeiros que residem no país pudessem comprar e plantar maconha livremente. O Uruguai foi o primeiro país do mundo a legalizar a venda da droga. No uso recreativo, as pessoas têm acesso à erva por cultivo próprio, clubes especializados ou farmácias. A quantidade máxima permitida para porte e uso particular mensal é de 40 gramas.

Mujica foi eleito senador nas eleições de outubro pela coalizão de esquerda Frente Ampla (FA). O ex-guerrilheiro, que governou o país de 2010 a 2015, decidiu voltar ao Parlamento para auxiliar na renovação de uma esquerda uruguaia que mira as próximas gerações.

Neste ano, Luis Lacalle Pou, candidato da centro-direita, bateu Daniel Martínez, candidato do partido de Mujica, e devolveu a direita ao posto máximo do país depois de 15 anos.