As mules estão de volta e são o calçado do momento!

Um calçado pouco usual passou a disputar espaço com os tênis New Balance e os sapatos Doctor Marten no armário do empresário carioca Bruno Luciano, de 29 anos. Meio tamanco, meio sandália, as mules têm como principal característica serem fechadas na frente e abertas no calcanhar, o que faz com que transitem bem entre o inverno do Hemisfério Norte e o verão do Hemisfério Sul.

“As possibilidades de estilos, materiais, cores e modelos são infinitas”, explica Bruno. “Pessoalmente, sempre busco por versões que chegam a beirar o estranho.”

O empresário é um dos novos adeptos do calçado que já foi hit da década de 1990 e agora retorna em versões esquisitonas (pense no casamento de um Crocs com uma Rider) e em páginas no Instagram com milhares de seguidores. É o caso da Mule Boyz, fundada em 2019 pelos norte-americanos Noah Thomas e Jian DeLeon. Autodeclarada “a primeira conta de mules do mundo”, o perfil exibe modelos que vão do clássico slip-on da Vans a outros mais elaborados de grifes como Dior.

“A mule é um sapato de lazer”, diz Noah, cofundador da conta e diretor de moda masculina da Macy’s. “É para ficar de pé, posar e relaxar. Se você correr, ela escapa, então é preciso relaxar. Eis aí o senso de luxo.” O calçado marcou presença em passarelas internacionais, no verde-limão maximalista na Marni, no acetato EVA na Fear of God e até com salto alto na Jil Sander. Mesmo com tanta variedade, a mule queridinha do momento tem nome e sobrenome: Birkenstock Boston.

Eleita “o calçado do ano” de 2022 pelo relatório da empresa de tecnologia e e-commerce de moda Lyst, tornou-se o it-shoe da temporada. Sua versão em couro suede taupe conquistou celebridades como Kendall Jenner e Kristen Stewart e está esgotada em todos os tamanhos, chegando a custar o dobro do valor original de 160 dólares no mercado de revenda.

Esquisitona, hypada ou luxuosa, a mule conquista pela habilidade de unir conforto e estilo em apenas uma escorregada de pés. “Com a pandemia, surgiu uma demanda muito grande por praticidade, a chamada two-mile-wear , que mescla peças sérias com outras que passeiam bem na rua”, comenta Hanne Lima, especialista em tendências na WGSN. Vida longa ao conforto!