Trump defende seu candidato ao Supremo de acusação de agressão sexual

Por Charlotte PLANTIVE
Juiz Brett Kavanaugh testemunha em 5 de setembro de 2018 ante o Comitê Judicial do Senado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se manteve firme nesta segunda-feira ao lado do seu candidato à Suprema Corte, Brett Kavanaugh, que foi acusado de agredir sexualmente uma mulher na década de 1980.

Trump reafirmou seu apoio a Kavanaugh nesta segunda-feira, mas admitiu que o aval a Kavanaugh poderá demorar "um pouco".

"Tenho certeza de que tudo vai dar certo", disse Trump na Casa Branca, apontando que a votação poderá atrasar "um pouco". O presidente também lamentou que as acusações remontem à década de 1980.

Consultado pela imprensa se Kavanaugh lhe ofereceu a retirada da candidatura, Trump qualificou a pergunta de "ridícula".

Christine Blasey Ford, uma professora universitária de Psicologia de 51 anos, afirmou ter sido agredida por Kavanaugh e um de seus amigos, em uma festa no subúrbio de Washington, no começo da década de 1980.

Kavanaugh, cuja confirmação nesta semana parecia certa antes do escândalo, negou as denúncias e disse estar pronto para "refutar" essas afirmações e defender sua honra.

Blasey Ford e Kavanaugh testemunharão na próxima segunda-feira sobre as acusações de agressão sexual.

"Em nome da transparência, realizaremos uma audiência pública na segunda-feira para esclarecer de forma completa estas recentes acusações", com os testemunhos de Kavanaugh e de sua acusadora, Christine Blasey Ford, informou o senador Chuck Grassley.

A acusação que pesa sobre este juiz conservador de 53 anos é crítica, em um contexto social de extrema sensibilidade com o tema da violência sexual contra mulheres desde o início do movimento #Metoo, que em um ano fez dezenas de homens perderem seus cargos em ambientes de poder.

"Estou pronto para falar com o Comitê Judicial do Senado (...) para refutar essas acusações sobre fatos que datam de 36 anos atrás e defender minha integridade", afirmou o magistrado em uma breve declaração difundida pela Casa Branca.

Ao denunciar as acusações como "completamente falsas", o magistrado assegurou: "Nunca fiz algo como o que a acusadora descreve, nem a ela nem a ninguém mais".

- 'Dever cívico' -

Os democratas querem aproveitar o caso para bloquear a nomeação deste juiz, questionado por seu conservadorismo.

A chegada de Kavanaugh à Suprema Corte faria dos juízes progressistas ou moderados minoria durante um período de muitos anos no tribunal, que decide sobre questões fundamentais da sociedade americana, como o direito ao aborto, ao porte de armas de fogo e aos direitos das minorias.

O comitê do Senado previa votar nesta quinta-feira a confirmação de Kavanaugh, antes da votação final do plenário, que poderia ser no final de setembro.

Os republicanos, que contam com uma estreita maioria (51 contra 49 votos) no Senado, têm a última palavra sobre os candidatos indicados pelo presidente dos Estados Unidos.

Para os democratas, a estratégia consiste em adiar a votação para depois das eleições legislativas de novembro, à espera de poder recuperar assentos no Congresso.

Em uma entrevista, Christine Blasey Ford narrou com detalhes ao jornal Washington Post a noite em que afirma ter sido vítima de uma agressão sexual.

Kavanaugh, junto com um amigo, estavam "completamente bêbados" quando a encurralaram em um quarto e tentaram mantê-la à força em uma cama para tocá-la e tentar tirar a sua roupa.

A mulher conseguiu fugir e esta semana, após 36 anos de silêncio, decidiu falar.

"Considero agora que meu dever cívico é mais importante do que a angústia e medo das represálias", disse.

- 'Ela deveria ser escutada' -

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta segunda que está confiante de que seu candidato à Suprema Corte será confirmado no cargo.

"Tenho certeza de que tudo vai dar certo", disse Trump na Casa Branca, apontando que a votação poderá atrasar "um pouco". O presidente também lamentou que as acusações remontem à década de 1980.

Sua principal assessora e uma das pessoas mais próximas a Trump na Casa Branca, Kellyanne Conway, disse que Ford deveria ser ouvida.

"Esta mulher não deveria ser insultada e não deveria ser ignorada", disse Conway à rede Fox News.

"Quero deixar isso bem claro: eu falei com o presidente. Falei com o senador (Lindsey) Graham e com outros, esta mulher deveria ser escutada", disse a assessora, que também descreveu Kavanaugh como um homem "íntegro".