Mulher de Cabral é proibida de “dar carteirada” para visitar marido

Fernando Frazão/Agência Brasil

Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral e, consequentemente, ex-primeira-dama do Estado do Rio de Janeiro, utilizou-se da sua carteira da OAB para visitar o marido por duas vezes no presídio Pedrolino Werling de Oliveira, (Bangu 8). Ela, porém, não consta como responsável pela defesa de Cabral em nenhum processo e, por isso, não tem autorização para vê-lo sob o pretexto de ser advogada. As informações são do colunista Ancelmo Gois, confirmadas nesta segunda-feira (20), pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

A visita de uma advogada legalmente habilitada para tal permite algumas regalias como entrar de carro no complexo penitenciário e ser dispensada da revista - além de não haver horários definidos para a visitação, como ocorre com os parentes dos presos.

Investigações na Alerj vão de Flávio a deputados de PT, PDT e PSC

População do RJ ganha serviço telefônico para denunciar corrupção, o “Disque Rio”

A Seap ainda afirmou que, após constatar a irregularidade, um ofício foi enviado ao juiz da Vara de Execuções Penais - que proibiu a possibilidade de novas visitas nessas circunstâncias. O órgão ainda frisou que o credenciamento das visitas nos horários determinados para os familiares segue normalmente.

O registro de Adriana Ancelmo na OAB é regular, segunda uma consulta realizada na manhã desta segunda. Entretanto, há um processo tramitando no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-RJ que pode fazer com que a magistrada tenha seu registro suspenso.

A defesa de Adriana Ancelmo alega que a ex-primeira-dama não precisa de subterfúgios para visitar Sérgio Cabral, visto que ela já tem esse direito pela condição de esposa. A defesa ainda afirma que mesmo os advogados passam por procedimentos de segurança no ingresso em unidades prisionais. “A informação, destarte, não possui lógica e está eivada de equívocos”, frisaram os advogados de Ancelmo.

Condenações

Em setembro de 2017, Adriana Ancelmo foi condenada pelo juiz Marcelo Bretas a 18 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela foi presa em dezembro, 20 dias após Cabral ser detido. Na sentença, o magistrado da 7ª Vara Federal Criminal do Rio referiu-se à Adriana como “companheira de vida e práticas criminosas” de Cabral e afirmou que ela também era “mentora de esquemas ilícitos”.

Já Cabral, preso desde novembro de 2016 - condenado a penas que juntas somam 198 anos - agora visa reduzir o tempo de prisão através da leitura de livros, inscrições em cursos e até utilizando-se da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 15 de março deste ano, o ex-governador encaminhou petição à VEP, pedindo uma redução de 234 dias de sua pena por conta das atividades realizadas. De acordo com o documento apresentado pela defesa, o ex-governador fez três cursos - todos à distância. Ele aprendeu Jardinagem e Paisagismo, Agropecuária e Espanhol. Os cursos foram feitos através do Instituto Universal Brasileiro e, segundo a petição, tiveram uma carga horária total de 1.030 horas, o equivalente a menos 85 dias de pena.

Para a Lei de Execução Penal, a cada 12 horas de estudo, é debitado um dia do total de sua condenação. Já pela aprovação no Enem em 2017, a defesa de Cabral pede uma diminuição de 133 dias de sua pena.

A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido feito pelo ex-governador.