Mulher com excesso de pelos causado pela síndrome do ovário policístico dá lição de autoconfiança

Uma mulher com síndrome do ovário policístico conta como fez as pazes com seu corpo [Foto: SWNS]

Uma mulher com síndrome do ovário policístico (SOP) decidiu aceitar um dos efeitos colaterais da doença, abandonando os métodos de depilação e permitindo que seus pelos corporais crescessem livremente.

De acordo com o NHS (Serviço Nacional de Saúde britânico), a SOP é uma doença comum, que afeta a forma como os ovários trabalham.

Graças aos altos níveis de “hormônios masculinos” em mulheres com esta condição de saúde, um dos efeitos colaterais mais comuns é o crescimento de pelos escuros no rosto e no corpo.

Apesar de ser perfeitamente natural, o excesso de pelos corporais costuma ser visto como um tabu em nossa sociedade, motivo pelo qual muitas mulheres se sentem pressionadas a removê-los.

Não é o que acontece com norte-americana Leah Jorgensen, que tem 33 anos, é técnica em saúde comportamental e sofre de SOP desde os 14 anos.

Após ouvir diversos comentários cruéis de pessoas chamando-a de “homem”, Leah passou anos usando roupas de manga longa, blusas de gola alta e calças compridas, na tentativa de esconder o excesso de pelos.

Quando tinha 20 e poucos anos, ela passava horas raspando os grossos pelos que cresciam no queixo, bochechas, lábio superior, peito, barriga, braços, pernas e costas.

Leah decidiu usar um biquíni pela primeira vez no ano passado [Foto: SWNS]

A insegurança de Leah em relação aos seus pelos corporais impediu que ela se aproximasse de outras pessoas – ela deu seu primeiro beijo aos 27 anos e evitou o dentista por doze anos.

“Eu nunca tinha visto mulheres parecidas comigo,” disse Leah. “Eu sentia tanta vergonha que não queria falar sobre o assunto”.

“Minha forma de lidar com aquela vergonha era me esconder. Meu objetivo diário, por muito tempo, foi simplesmente conseguir chegar até o final do dia sem que ninguém notasse o quanto eu era peluda”.

“Como eu tenho muitos pelos, era muito difícil escondê-los. Desenvolvi uma ansiedade terrível e isso afetou significativamente a minha saúde mental”.

Leah relembra que numa consulta médica, ouviu que seu caso era o mais grave de hirsutismo (excesso de pelos corporais) já visto, e isso fez com que Leah se sentisse uma “aberração”.

E outras situações com colegas de classe que debochavam de seus pelos, também causaram um impacto significativo.

“Eu me sentia envergonhada e assustada, como se eu fosse menos mulher por causa daquilo,” disse ela.

“Eu me cobria com roupas e raspava meu rosto, e se fosse preciso mostrar qualquer parte do meu corpo, eu removia os pelos antes”.

“Onde moro, os verões são quentes e úmidos, mas eu usava moletons o ano inteiro, então ficava suando. As pessoas me perguntavam: ‘Por que você está usando isso?’ E eu só dizia ‘Me deixe em paz’”.

“Eu tinha certeza de que perderia meus amigos, que minha família me rejeitaria, que eu nunca conseguiria encontrar um emprego ou um namorado e que minha vida seria triste e solitária”.

Leah costumava passar horas removendo os pelos em excesso [Foto: SWNS]

A mudança em seu comportamento teve início em 2015, quando Leah foi atropelada. Ela teve que ser levada de ambulância ao hospital, onde teve as roupas cortadas pelos médicos para passar por uma cirurgia. Isso acabou mostrando às pessoas a quantidade de pelos em seu corpo, mas para a sua surpresa, elas não pareceram se importar.

“Eu percebi que ninguém se importava com a minha aparência,” ela explica. “Eles simplesmente me viram como uma pessoa. Isso me ajudou muito a superar”.

Daquele momento em diante, Leah parou de remover seus pelos e de se esconder. Em vez disso, atualmente ela usa blusas sem manga, tops, saias e shorts em público, sem se preocupar com o que as pessoas vão pensar.

Ela também usou um biquíni pela primeira vez no último verão.

Sua autoconfiança fez com que Leah decidisse criar um perfil no Instagram onde compartilha regularmente suas fotos com seus mais de 3 mil seguidores, juntamente com mensagens de poder, incentivando outras pessoas a amarem seus próprios corpos.

No mês que vem Leah será fotografada para um livro que promove a diversidade, chamado ‘Underneath We Are Women’ (No fundo nós somos mulheres, em tradução livre).

Falando sobre como superou seus medos, ela diz: “Percebi que nunca me importei de fato com a questão dos pelos. O problema não eram os pelos, e sim a percepção das pessoas em relação a eles”.

“Eu pensei: ‘Já chega’. Eu não quero mais fugir ou me esconder”.

A mudança de mentalidade também fez com que ela pedisse demissão de seu emprego no mercado de seguros e voltasse à faculdade, onde está estudando para se tornar assistente social. Recentemente Leah conseguiu um emprego para trabalhar com crianças autistas.

“As pessoas me encaram ou tentam tirar fotos, mas eu já espero isso porque ninguém vê mulheres que se parecem comigo,” disse ela.

“Eu tinha medo que as pessoas notassem os meus pelos, mas agora não me importo e deixo que eles cresçam. Eu sou única e não há problema algum nisso”.

“Ainda depilo meu rosto porque gosto dele sem pelos, mas antes eu fazia isso várias vezes ao dia, e agora faço a cada dois dias”.

“Esta tem sido uma jornada muito empoderadora,” disse ela, sobre sua caminhada rumo à autoconfiança.

“Espero que ao compartilhar a minha história, ela incentive outras pessoas a ter coragem. E, para as mulheres que têm hirsutismo: vocês não estão sozinhas”.

Leah costumava ter vergonha do excesso de pelos em seu corpo [Foto: SWNS]

Leah não é a única mulher com síndrome do ovário policístico que decidiu parar de lutar contra seus pelos. A cantora e artista Little Bear Schwarz costumava remover qualquer traço de seus pelos, mas aos 31 anos, depois de decidir deixá-los crescer, ela descobriu que a mudança não apenas lhe deu força interior, mas também foi lucrativa para sua carreira.

“Percebi que era agora ou nunca, então deixei os pelos crescerem e depois de algumas semanas encontrei um panfleto falando sobre uma competição de barbas. Eu participei e ganhei,” disse Schwarz ao Yahoo Lifestyle.

No prazo de um mês, ela se uniu ao Wreckless Freeks. “Eu descobri que ter uma barba não era apenas possível, mas também lucrativo”.