Mulher denuncia hospital após passar por laqueadura sem autorização em Rondônia

Médico disse ao marido que faria laqueadura em Silvane, mas casal entendeu que se tratava de uma brincadeira (Foto: Getty Images)
Médico disse ao marido que faria laqueadura em Silvane, mas casal entendeu que se tratava de uma brincadeira (Foto: Getty Images)

Silvane Alves tentava engravidar do segundo filho, mas tinha dificuldades. Foi então que descobriu que havia sido submetida a uma laqueadura, mesmo sem ter autorizado o procedimento. O caso foi revelado pela Rede Amazônica.

O caso aconteceu em outubro de 2021, quando Silvane e o marido, Fábio Rodrigues, foram ao Hospital Municipal de Ji-Paraná, em Rondônia, para que a mulher desse à luz o primeiro filho do casal.

A primeira irregularidade aconteceu quando a equipe impediu Fábio de acompanhar a esposa. “A princípio eu não pude entrar nem dentro da maternidade. Eu fiquei de fora e só entrou a minha esposa, eu não entendi o porquê. Só depois de duas horas eles me colocaram pra dentro. O pai, a mãe, a tia, o irmão, o sobrinho, têm o direito de acompanhar na hora do parto. Isso é lei e foi negado pra mim”, relatou à Rede Amazônica.

O direito de a gestante ter um acompanhante é garantido por lei federal desde 2005.

Silvane desejava um parto normal, mas foi submetida a uma cesariana. Logo depois do nascimento do bebê, ela foi submetida a uma laqueadura, mesmo sem consentimento.

“Do nada, depois da cesariana, ele veio no corredor e gritou, sem nunca ter me visto: 'vou laquear sua esposa'. Eu achei que era brincadeira, porque a gente não foi lá pra fazer laqueadura, a gente foi pra fazer o parto”, contou o marido de Silvane.

O casal achava que se tratava de uma brincadeira, até o momento em que decidiram tentar ter o segundo filho. Acumulando falhas nas tentativas, lembraram do ocorrido e foram atrás dos prontuários no Hospital Municipal de Ji-Paraná. Foi, então, que descobriram que Silvane havia passado pela laqueadura.

“Nós já estamos quase com depressão porque eu já perdi um filho. Eu queria ter mais. Eu já tenho esse, sou muito feliz que ele é saudável, mas queria ter uma menininha. A gente sonhava com isso, mas veja o transtorno que ele [o médico] causou na nossa vida fazendo isso [a laqueadura]”, disse Silvane à Rede Amazônica.

Em julho, Fábio e Silvane decidiram denunciar o hospital a Polícia Civil, Ministério Público de Rondônia (MP-RO) e o Conselho Regional de Medicina (Cremero). O casal também pede uma indenização na Justiça Estadual no valor de R$ 60 mil, por danos morais.

O que diz o hospital

O médico responsável segue no quadro de servidores da Prefeitura. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, um afastamento só poderia ocorrer após o julgamento.

A pasta afirmou que a maternidade foi procurada pelo MP-RO para prestar esclarecimentos. O profissional de Saúde teria justificado que Silvane tinha um quadro de pré-eclâmpsia grave e, por isso, a cesariana e a laqueadura teriam sido feitas “em decorrência dos riscos maternos e para o nascituro”.

Além disso, o hospital justificou que a presença de Fábio não foi permitida na maternidade em decorrência da situação da covid-19.