Mulher disse à polícia que filha de Belo e outras jovens presas no Rio eram garotas de programa

Carolina Heringer
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Um dos policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) responsável pela prisão de Isadora Alkimin Vieira, filha do cantor Belo, relatou em seu depoimento que ao chegar no apartamento onde a jovem estava com outras 11 mulheres foi informado por uma delas de que todas ali eram garotas de programa. Isadora foi presa em flagrante no dia 10 desse mês, suspeita de fazer parte de uma quadrilha especializada em praticar golpes.

O policial relatou que a delegacia recebeu uma denúncia por volta das 10h do dia 10 sobre o funcionamento de uma espécie de central clandestina de telemarketing da quadrilha em um apartamento na Avenida Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca. Ao chegar no local, foi informado por funcionários do condomínio que moradores já tinham denunciado que as moradoras do apartamento apontado pelo policial tinham “comportamentos estranhos”. O EXTRA teve acesso ao depoimento do policial.

O agente afirmou que foi até o apartamento acompanhado do supervisor de segurança do condomínio e já do lado de fora foi possível ouvir mulhere conversando igual a uma central de telemarketing. Os policiais decidiram bater na porta do apartamento e foram atendidos por Roselaine Oliveira Almeida, de 43 anos. Segundo o relato do policial, naquele momento ao ser perguntada com o que elas trabalhavam , Roselaine afirmou que eram garotas de programa e ela cuidaria das mesmas.

Após autorização de Roselaine, os policiais entraram na casa. Em todos os quartos e nas sala havia mulheres trabalhando em computadores, algumas com fones de ouvido. Segundo o policial, ao constatar esse cenário ficou claro de que ali funcionava uma central clandestina da quadrilha.

Em seu depoimento à polícia, ao qual o EXTRA também teve acesso, Roselaine acabou admitindo que o grupo trabalhava aplicando golpes e alegou ter ficado nervosa com a chegada da polícia, por isso havia dito que na casa só havia meninas e todas eram garotas de programa.

Moradora de São Paulo, Roselaine relatou que estava no Rio desde outubro e que havia recebido a proposta de atuar aplicando golpes de um homem chamado Príncipe. Ela contou que conheceu o homem em um bar em Pirituba, na capital paulista e afirmou ser a responsável por passar “a rotina do negócio” para ele.

O grupo é acusado de fazer parte de uma organização criminosa que induzia vítimas a repassarem seus dados bancários e, posteriormente, entregarem seus cartões a motoboys para serem utilizados pela quadrilha. Além disso, o grupo também é acusado de furtar, por meio de fraude, dados bancários das vítimas.

Roselaine ainda admitiu que, em São Paulo, aplicava uma fraude conhecida como trava, que consiste na interceptação de envelopes depositados nos caixas eletrônicos de agências bancárias.

Filha de Belo diz que estava com dívidas

Como o EXTRA revelou nesta quinta-feira, Isadora Alkimin, filha do cantor Belo, afirmou em seu depoimento à Polícia Civil do Rio que não tinha conhecimento de que estava trabalhando para golpistas. A jovem de 21 anos alegou ainda que é estudante de Odontologia e aceitou a função “para coletar dados das pessoas” porque estava com muitas dívidas.

Isadora alegou aos policiais que sua função era coletar dados e fazer anotações sobre várias pessoas. Ela alegou que nunca tinha entrado em contato com nenhuma vítima para pegar dados e apenas usava informações que já estavam inseridas no sistema do computador. A filha de Belo, no entanto, admitiu imaginar que algo ilegal seria feito com os dados.

Em seu depoimento, ela afirmou que não sabia o que seria feito com as informações, “mas achava que era uma coisa ilegal, porém achava que essas pessoas seriam ressarcidas por alguma instituição financeira e não tinha certeza se elas perderiam determinado valor”.

Isadora disse ainda que estava na função há pouco menos de um mês e que havia recebido uma ajuda de custo de R$ 600, “pois estava na fase de aprendizado da função de coleta de dados”. Ela disse ter recebido a quantia de outras mulheres da casa. A jovem alegou que sua renda vinha exclusivamente de seus pais, mas por estar com muitas dívidas resolveu tirar uma “renda extra”

A filha de Belo afirmou que estava em São Paulo, onde reside com sua mãe, quando soube da “função para coletar dados de pessoas”. Ela alegou, no entanto, ter vindo para o Rio apenas para passar um fim de semana com as amigas, mas acabou permanecendo na cidade. A jovem estava morando no apartamento onde o grupo foi preso.

Isadora e as outras mulheres foram autuadas em flagrante pelo crime de organização criminosa. Seus advogados pediram sua liberdade provisória na Audiência de Custódia realizada no dia 12 de novembro, mas a solicitação foi negada e a prisão preventiva da filha de Belo foi decretada. Ela continua presa em uma unidade prisional do Rio.

Na audiência de custódia, cinco integrantes do grupo foram beneficiadas com prisão domiciliar, uma vez que possuem filhos menores de 12 anos.