Mulher diz ter sido agredida em restaurante no Jockey Club de SP

THAIZA PAULUZE E PATRÍCIA PASQUINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O último sábado (11) poderia ter sido só mais uma noite recheada de aperitivos e drinques no luxuoso restaurante Iulia, no Jockey Club de São Paulo. Mas o local foi palco de uma agressão que deixou deformado o rosto da consultora imobiliária Milka Borges, 33. Ela acusa o estabelecimento de negligência.

Segundo relato de Milka, foi a namorada de um dos donos do Iulia que teria atirado um copo de vidro em sua direção após um desentendimento na fila do banheiro. A moça é identificada como Fernanda Bonito e namora Rodrigo Lima, proprietário do restaurante junto com o irmão, Ricardo Lima. A consultora diz que não os conhecia até então. 

Tanto Rodrigo quanto os seguranças do estabelecimento teriam presenciado a cena e não prestado socorro ou ajuda, ainda de acordo com Milka. "Ao contrário, me ameaçaram", diz. 

Em vídeo de 12 minutos nas redes sociais, ela narra sua versão do ocorrido. 

Milka havia ido a uma comemoração de aniversário e, numa das idas ao banheiro, Fernanda teria chegado exaltada na fila. "Falou para todas que ela mandava no local e, esmurrando as portas, disse que ia entrar antes de qualquer uma que esperava a vez para usar o toalete", contou.

Quando vagou uma das cabines, segue Milka, "Fernanda veio correndo e lutou com a minha amiga pra tirar ela. Minha amiga, mesmo sem acreditar no que estava acontecendo, deixou ela usar". 

Ao sair do banheiro, "[Fernanda] começou procurar minha amiga e gritar: 'Onde está aquela vagabunda? Eu vou chamar os seguranças, eu tiro quem eu quiser daqui. Ela não sabe com quem ela está falando!".

Aí começaram as agressões a Milka, ainda segundo seu relato. "Ela ignorou [que eu estava na fila na saída do banheiro] e me empurrou. Segurei [ela] por causa do seu descontrole ao vir em minha direção. Nisso ela puxou meu cabelo, agarrou meu braço e arrancou meu colar, me arranhando." 

Após a confusão, Fernanda teria saído do banheiro e ido em direção aos seguranças do estabelecimento e ao namorado.

Logo após, Milka afirma ter sido atingida por um copo de vidro no rosto. "Não tive como me defender. Em choque, não percebi a gravidade da situação, só percebi quando vi que estava jorrando muito sangue."

A consultora conta que, mesmo machucada, precisou se esconder em uma das cabines para que não fosse agredida novamente --dessa vez pelos homens. Ela diz ter sido ameaçada aos gritos de "eu vou matar essas vagabundas".

Levada por amigos ao hospital com cortes profundos que atingiram vasos sanguíneos importantes do rosto, Milka diz ter feito quatro cirurgias e afirma que deve encarar ainda mais procedimentos. 

Ela registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal no 89º Departamento de Polícia e fez perícia no IML (Instituto Médico Legal).

Em nota, o restaurante Iulia considerou como desentendimento entre duas frequentadoras a agressão sofrida pela consultora. O estabelecimento também disse que em três anos de funcionamento não havia ocorrido fato semelhante no local e que a acusada de agressão não é sócia do local nem lá trabalha.

O Iulia afirma que vai colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos.

Em relação à omissão de socorro, numa segunda nota enviada à reportagem a assessoria de imprensa do local disse que ofereceu assistência a Milka após o incidente, mas que ela preferiu ir ao hospital com amigos.

Sobre a suposta ameaça de morte que teria sido feita por um dos proprietários, o estabelecimento nega e afirma que o desentendimento foi entre as duas mulheres. "Não houve agressão ou ameaça por parte dos proprietários", diz o texto.

Já o Jockey Club de São Paulo disse, também em nota, que tomou conhecimento do acontecido por meio das redes sociais e que vai abrir uma sindicância interna para pedir esclarecimentos ao locatário.

Procurados, Fernanda Bonito, Rodrigo Lima e Ricardo Lima não responderam até a publicação desta reportagem.