Mulher é espancada pelo marido em SP: "Sobrevivi porque fingi estar morta"

Mulher foi espancada pelo próprio marido - Foto: Arquivo Pessoal
Mulher foi espancada pelo próprio marido - Foto: Arquivo Pessoal
  • Mulher foi brutalmente espancada pelo próprio marido no interior de São Paulo

  • Ela contou que precisou fingir-se de morta para interromper as agressões

  • Homem continua solto e caso foi registrado como lesão corporal

Uma professora de 30 anos foi brutalmente espancada pelo próprio marido no início do mês em Jacareí, no interior de São Paulo. Em contato com o g1, ela explicou que só sobreviveu porque fingiu que estava morta.

O crime foi cometido no último dia 4 na casa em que o casal vivia, com o filho de 7 anos, no bairro Jardim Maria Amélia. A vítima contou que o marido acordou desnorteado e deu início às agressões.

“Ele acordou fora de si, estava fazendo xixi no guarda-roupa, e eu só falei para ele ir ao banheiro. Quando disse isso, ele ficou violento e começou com as agressões, me dando socos e chutes no rosto”, lembrou.

A vítima implorou para que o marido, com quem era casada há 10 anos, interrompesse o espancamento, mas sem sucesso.

“Eu tentei tirar ele de cima de mim, mas não conseguia. Ele me jogou no chão e me espancou, esmurrando meu rosto e minha cabeça sem parar. O tempo todo ele falava que iria me matar e não parava com as agressões.”

Sem escapatória, ela decidiu fingir-se de morta. “Eu prendi a respiração e fiquei sem me mexer, só recebendo os socos. Ele achou que eu tivesse morrido, então parou com as agressões e foi para o quarto voltar a dormir. Quando percebi que ele realmente estava dormindo, com muito esforço consegui me levantar do chão e pedir ajuda para os vizinhos", contou.

Fuga e internação

Uma vizinha auxiliou a vítima e a levou a um hospital, além de resgatar o filho do casal, que estava em casa e presenciou a agressão. A mulher ficou internada e recebeu alta após um dia, mas segue com sequelas físicas e emocionais mais de duas semanas após o ocorrido.

“Ele quebrou meu nariz, meu rosto ficou tão inchado que eu não conseguia abrir os olhos, perdi toda a sensibilidade do lado direito do meu rosto porque ele rompeu meu nervo. Hoje ainda tenho hematomas, muitas dores no corpo, estou com o rosto inchado e os meus olhos estão com os vasos sanguíneos estourados”, relatou.

A professora registrou boletim de ocorrência e conseguiu medida protetiva contra o agressor, mas o crime foi registrado como lesão corporal, e não tentativa de feminicídio.

A Polícia Civil investiga o caso, mas o criminoso fugiu e continua solto. Agora, a vítima tenta lidar com o medo de novas agressões.

“Se eu não tivesse me fingido de morta, eu não estaria viva. Ele só parou de me espancar, porque tinha certeza que eu tinha morrido. Foi uma clara tentativa de feminicídio", afirmou. "Com ele solto, eu estou vivendo igual uma foragida. Tenho medo de ele me achar. Não posso sair, não consigo dormir, está sendo horrível, o momento mais terrível da minha vida. Até para ir ao psicólogo tenho medo, e a todo momento tenho flashs dele me espancando. Minha vida está sendo destruída e ele continua a solta, como se nada tivesse acontecido."