Mulher grávida salva filha de 9 anos de ataque de pitbull

No final do mês de junho, o Hospital Estadual Alberto Torres atendeu mais uma vítima que foi atacada por cachorros da raça pitbull. Paula da Mara Lima, de 34 anos, está grávida e precisou entrar em luta corporal com seus cachorros para salvar a filha, de 9 anos. A menina foi mordida na cabeça e na orelha. Paula conseguiu afastar os animais com ajuda da irmã e de um vizinho, mas a menina precisou ser levada às pressas para o hospital, onde passou por cirurgia e recebeu alta na última quinta-feira.

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"Foram dias difíceis. Pensei em perder minha filha e minha bebê. Mas não pensei duas vezes. Dei um mata-leão em um dos cachorros, que não soltava a cabeça da Duda de jeito nenhum. Foram os piores minutos da minha vida, Parecia uma eternidade", garantiu Paula.

Médicos do Hospital Alberto Torres alertam que mordidas de cachorros na região da face, pescoço e crânio, apesar de menos comuns, são muito graves e podem deixar sequelas nas vítimas.

— Embora os ataques aconteçam com mais frequência nos braços e nas pernas, quando a mordedura acontece na região da cabeça há o risco de morte e apesar de na maioria dos casos a gente conseguir salvar esses pacientes, as cicatrizes provavelmente precisarão ser tratadas para o resto da vida —explicou Tarcísio Encina, cirurgião plástico do Hospital Alberto Torres.

No mês passado, onze crianças deram entrada no Centro de Trauma da unidade de saúde com ferimentos relacionados a ataques de cães. Os médicos reforçam que os casos envolvendo crianças e adolescentes com até 15 anos são recorrentes. Segundo eles, é importante que os pais e responsáveis atuem na prevenção desses acidentes.

— A estatística mundial mostra que a maior parte dos casos graves de mordidas de cachorros envolvem crianças. E muitos acidentes acontecem dentro de casa. Então é importante que os pais sempre orientem os filhos sobre não se aproximarem de cachorros com excesso de energia, ou com comportamentos que possam desencadear uma reação — enfatizou Thiago Genn, que também é cirurgião plástico do Heat.

Thiago também reforçou que sempre que alguém for mordido por um cachorro deve lavar bem o ferimento com água e sabão e procurar imediatamente uma unidade de saúde. O cirurgião explica que somente um profissional poderá avaliar a necessidade de vacina, soro antirrábico e a extensão da lesão, mesmo quando ela for causada por um cachorro de pequeno porte.

— A questão da mordedura é que pode causar lesões de pele, ou muito mais profundas. Dependendo da potência dessa mordida, ela pode resultar em lesões musculares, articulares e até mesmo ósseas. Mordidas de cachorro de pequeno porte também podem causar lesões mais extensas. A vítima deve procurar um médico o quanto antes — completou o médico.

De acordo com adestradores, é essencial que ao decidir ter um cachorro, a família dedique um tempo para educar esse animal. Essa necessidade fica ainda maior quando tratamos de raças mais fortes, como pitbulls, que apesar de geralmente serem dóceis, caso ocorra um ataque a tendência é que seja muito mais grave.

— Todas as vezes que um animal é agressivo, é influência do ser humano. No caso dos pitbulls, os ataques são muito mais comuns na rua: um pitbull que estava solto, que fugiu da casa de alguém, que foi abandonado, que tem histórico de maus-tratos, que participava de rinhas, treinado para brigar. É importante também conscientizar as pessoas que esses animais precisam ser treinados, não é qualquer um que pode ter. Porque a gente vê ataques de outras raças, de pinscher, de yorkshire, mas o peso de uma mordida de pitbull é muito maior — reforçou Renan Fernandes, comportamentalista e adestrador.

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