Mulher de jornalista inglês faz apelo por intensificação das buscas: 'Mesmo que eu não encontre o amor da minha vida vivo'

RIO - Alessandra Sampaio, mulher do jornalista inglês Dom Phillips, que está desaparecido no Amazonas, fez um apelo emocionado às autoridades brasileiras para que as buscas no território do Vale do Javari sejam intensificadas. Em entrevista à TV Bahia, em vídeo que circula pelas redes sociais, ela aparece chorando e muito abatida, e diz que deposita todas as esperanças nos trabalhos de militares e civis que tentam localizar a embarcação em que o marido e o indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor da Funai, desapareceram no domingo. Os dois estão sumidos há mais de 48h. Bruno vinha sofrendo ameaças por combater a invasão de terras indígenas, sobretudo isolados que ficam na região, de invasores como garimpeiros, pescadores ilegais e madeireiros.

"Eu sou esposa do Dom Phillips que está desaparecido junto com o Bruno Araújo lá na Amazônia. Eu queria fazer um apelo ao governo federal, para os órgãos competentes, para intensificarem as buscas, que a gente ainda tem um pouquinho de esperança de encontrar eles. Mesmo que eu não encontre o amor da minha vida vivo, eles têm que ser encontrados. Por favor, intensifiquem essas buscas. Eu não quis falar antes porque a família toda está muito chocada, a gente não sabia como reagir. Mas a gente está fazendo este apelo para intensificarem essas buscas. Obrigado", pede Alessandra.

Há mais de dez anos, o inglês Dom Phillips se dedica a fazer reportagens sobre a Amazônia e colabora para jornais de todo o mundo, entre eles, o "The Guardian". Ele estava escrevendo o livro "Como salvar a Amazônia?" e contava com a ajuda do servidor da Funai, Bruno Araújo Pereira, especialistas em tribos isoladas ou de recente contato. Bruno, que era opositor da atual gestão da Funai, tinha sido exonerado de um cargo de coordenador do órgão na região do Vale do Javari, que concentra a segunda maior reserva indígena do país.

O desaparecimento dois dois foi denunciado pela organização indígena Univaja, que acusa o governo de não atuar para pacificar as tensões na região. Em 2019, um colaborador da Funai, Maxciel Pereira dos Santos foi assassinado com dois tiros na cabeça na frente da família. Até hoje o crime não foi elucidado.

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