Uma mulher morre por disparos da marinha marroquina contra barco de migrantes

Uma patrulha da Marinha marroquina, similar a da foto de agosto de 2015, foi "forçada" a abrir fogo em uma lancha dirigida por um espanhol que "se recusou a obedecer" a ordens em águas próximas à localidade marroquina de M'diq-Fnideq.

A Marinha Real marroquina abriu fogo, nesta terça-feira, contra um barco de migrantes no mar Mediterrâneo que não respondeu a suas advertências, deixando uma pessoa morta e três feridas, informaram as autoridades locais.

A Marinha se viu "obrigada" a abrir fogo contra um "go-fast" (barco a motor muito rápido), pilotado por um espanhol, que "se negou a obedecer advertências em águas marroquinas", na costa em frente a M'diq-Fnideq (norte).

As autoridades indicaram que quatro migrantes ficaram feridos, incluindo uma marroquina que posteriormente morreu como consequência dos ferimentos.

"Viajavam deitados e não dava para vê-los", segundo a mesma fonte.

O piloto espanhol não foi atingido pelos disparos e foi detido, segundo a mesma fonte. Foi aberta uma investigação.

Desde o início de 2018, a Espanha registrou mais de 38.000 chegadas por vias marítima e terrestre, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

As autoridades marroquinas indicaram que desde janeiro interromperam 54.000 tentativas de travessia até a União Europeia.

No fim de agosto de 2018, 7.100 marroquinos estavam envolvidos nestas tentativas de travessia, segundo dados apresentados na quinta-feira passada pelo porta-voz do governo marroquino.

As autoridades do reino norte-africano recentemente "reforçaram as medidas de controle e instalaram barreiras na entrada das cidades costeiras do norte", disse nesta terça à AFP o presidente do Observatório do Norte para os Direitos Humanos, Mohamed Benaïssa.

Desde o início de setembro, as redes sociais no Marrocos estão repletas de vídeos que mostram jovens rumo a Espanha a bordo de botes infláveis.