Mulher morta no segundo dia de operação da polícia no Alemão é enterrada

Cerca de 100 pessoas foram ao enterro de Solange Mendes da Cruz, de 49 anos, morta com um tiro na cabeça na última sexta-feira, no segundo dia de conflitos entre policiais e criminosos no Complexo do Alemão. O sepultamento aconteceu na tarde deste sábado, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte. Muito abalados, familiares da vítima não quiseram falar com a imprensa.

— Uma pessoa excelente e batalhadora — foi assim que dona Stela Alves da Silva, de 65 anos, definiu a vizinha morta na operação. — Ela era minha amiga há mais de 30 anos, frequentamos a igreja juntas. Era uma pessoa muito batalhadora e braço direito e esquerdo do esposo.

Stela disse que sempre se lembrará do sorriso da amiga.

— O que eu vou lembrar dela é o sorriso. Era uma boa mãe, boa companheira. Quando a gente ia imaginar que iam matar a Solange assim? Foi uma surpresa, infelizmente — lamentou.

Solange era moradora do Beco do Borges, uma localidade da região, e era dona de uma pensão. No dia do acontecido, ela chegou a ser socorrida ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo moradores relataram à ONG Voz das Comunidades, a vítima teria sido atingida pelo disparo de um policial que se assustou quando a viu. A corporação nega.

O porta-voz da PM, tenente-coronel Ivan Blaz, disse ao "RJTV", da TV Globo, nesta sexta, que a mulher foi atingida numa das ruas do Alemão por disparo de criminosos.

— Ela hoje passou ao lado dos policiais que estavam derrubando uma barricada colocada por criminosos, cumprimentou os policiais. E, inadvertidamente, criminosos atacaram esses policiais, atingindo a senhora Solange, que caiu diante dos policiais. Ela foi socorrida ainda, mas não conseguiu resistir. Mais um caso lamentável.

Hoje pela manhã foram enterrados os corpos do policial militar Bruno de Paula Costa, de Letícia Marinho Sales, mortos no primeiro dia de operação. Bruno e Letícia foram mortos ainda nas primeiras horas da ação na comunidade, que teve início na manhã de quinta-feira e se estendeu por cerca de 13 horas. Já Solange morreu no dia seguinte, quando a polícia manteve o patrulhamento ostensivo em pontos da região e foram registrados novos confrontos.

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