Mulher negra e pobre de campanha de Bolsonaro é canadense

Reprodução/Site Shutterstock

O jornal O Globo apurou que a mulher negra que aparece em um vídeo da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) falando ser brasileira é canadense e não faz ideia de quem seja o capitão reformado do Exército. A modelo, segundo o produtor de vídeo da empresa Orbit Creative, com sede em Toronto, Robert Howard, gravou essas imagens em que aparece como médica, mas também como cantora e funcionária de telemarketing para o banco de dados do site Shutterstock, em 2011.

De acordo com Howard, a atriz é canadense e vive em Toronto. “Posso afirmar com absoluta certeza que a mulher do anúncio não tem ideia de quem é esse político brasileiro. Nós ambos somos canadenses e vivemos em Toronto”, esclareceu ao Globo.

A ferramenta americana vende seus vídeos para diversos usos, menos para contexto político, sendo propaganda, promoção ou endosso. No vídeo compartilhado por um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo, no Twitter, aparece uma tarja preta exatamente onde, no original, há uma marca d’água da empresa Shutterstock.

Em nenhum momento, a mulher abre a boca para falar. A voz foi gravada por cima e narra que vai votar em Bolsonaro em 2018. “Sim, sou mulher. Negra e vinda de família pobre. Mas não passei procuração para que ninguém fale eu meu nome. Em 2018, elegerei o próximo presidente do Brasil. Um presidente que não aceitará o fato de que, por sermos mulheres e negras, devemos nos manter pobres para manter o jogo da velha política. Meu voto é pelo Brasil. Meu voto é Bolsonaro”, afirma.

A assessoria de imprensa do candidato informou que o vídeo não foi feito pela campanha e, sim, por um apoiador. A imagem em questão está disponível no site, em baixa qualidade, por US$ 69, e, em alta, por US$ 79.

Na semana passada, o candidato ao Governo de São Paulo pelo PSDB, João Doria, ex-prefeito da capital paulista, veiculou imagens compradas em sites estrangeiros e filmadas nos Estados Unidos e na Rússia para ilustrarem a construção de creches de sua gestão. Nesta segunda-feira (17), o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) proibiu a divulgação das cenas.