Mulher pede medida protetiva ao MP após ser chamada de 'petista de merda' por PM

Eleitor usa adesivos de Lula (PT). Foto tirada em 20 de setembro, 2022 (Foto: Buda Mendes/Getty Images)
Eleitor usa adesivos de Lula (PT). Foto tirada em 20 de setembro, 2022 (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Hélida Duarte, de 48 anos, que afirma ter sido agredida por um policial militar e obrigada a urinar dentro de uma viatura ao ser abordada em uma blitz em São Vicente, no litoral de São Paulo, entrou com pedidos de medida protetiva e instauração de um inquérito policial no Ministério Público (MP).

A ação foi protocolada por meio da defesa de Hélida nesta segunda-feira (7).

O portal g1 teve acesso a um vídeo do caso onde é possível ouvir quando o PM fala sobre a tentativa de atropelamento e ela rebate dizendo que foi ofendida.

"Filma aí, filma aí, quase me atropelou", diz o policial. Em resposta, a mulher fala: "Me chamou de petista de merda. Me dá o meu celular", e em seguida a filmagem encerra.

A defesa de Hélida, no documento, pede ao MP a representação junto ao juiz pela decretação de medidas protetivas em favor de Hélida Duarte e também da testemunha contra os policiais militares que atenderam a ocorrência.

De acordo com o advogado Rui Elizeu, um dos policiais teria procurado a família da mulher para pressioná-la a não levar adiante a denúncia contra ele.

Além disso, o advogado pede para que seja requisitado à Delegacia Seccional de Praia Grande, cidade vizinha, a instauração de um inquérito policial para apuração dos fatos.

Rui justifica pedindo para que o inquérito não seja feito na Delegacia de São Vicente, pois o delegado titular precisa esclarecer os motivos da ocorrência não ter sido recepcionada pela autoridade e equipe de plantão; de ter chegado às 3h e só ter sido registrada às 9h30 e de não ter sido disponibilizada uma cópia do B.O.

Entenda o caso

Hélida Duarte foi parada em uma blitz, na última segunda-feira (31), e os ataques teriam começado quando o policial viu uma bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT) na cintura dela.

Hélida disse que estava retornando da comemoração do resultado das eleições presidenciais quando foi parada, por volta das 2h15, na Avenida Presidente Wilson.

Segundo ela, o carro estava sem o licenciamento e, por isso, precisou descer do veículo.

“Eu estava com a bandeira do PT amarrada na cintura. O PM apontou um fuzil na minha cabeça, me chamou de 'petista de merda' e disse que eu tinha que morrer. Eu estou toda arrebentada, eles me enfiaram no camburão. Me fizeram urinar dentro do camburão quando eu disse que precisava ir ao banheiro. Eu fiquei toda urinada", desabafou.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que havia bebida alcoólica dentro do carro da mulher, que avançou o veículo contra os militares e os xingou.

Ela foi detida por desacato e desobediência após não acatar a uma ordem de parada dos policiais, sendo interceptada após avançar contra os PMs em um bloqueio.