Mulher que acusa Daniel Alves não deseja receber indenização e dá detalhes de agressão sexual em depoimento

A mulher espanhola de 23 anos que acusa Daniel Alves de agressão sexual se recusou a receber qualquer tipo de indenização caso o jogador for condenado. De acordo com a publicação do 'El País', ela afirmou em depoimento à polícia que não quer ganho financeiro, mas, sim, que a Justiça seja feita.

Os jornais "El País" e "El Mundo", de Madri, e "El Periódico" de Barcelona publicaram trechos do depoimento prestado à Justiça pela mulher. Nele há detalhes da acusação de agressão sexual contra Daniel Alves.

De acordo com a vítima, ela estava na boate Sutton, em Barcelona, quando não reconheceu Daniel Alves. Um grupo de mexicanos, amigos do jogador, o apresentaram à denunciante. Ela e o lateral-direito dançaram juntos até que o jogador teria levado a mão dela ao seu pênis. Por volta das 4h30, ele pediu para que ela o seguisse até uma porta. Seria a entrada de um banheiro, onde teria ocorrido a agressão.

A denunciante afirma que tentou sair do banheiro, mas foi impedida pelo jogador. Também afirma à Justiça que penetrou de maneira violenta até ejacular. A segurança do local foi informada do ocorrido, mas Daniel Alves já tinha deixado a boate.

A vítima fez exames num hospital e, de acordo com os veículos, foi detectada a presença de sêmen em seu vestido.

Daniel Alves foi enviado nesta sexta-feira à prisão Brians I, cerca de 30km de Barcelona. Preso por uma denúncia de agressão sexual, o jogador, segundo fontes ouvidas pelo jornal espanhol “El Periódico”, permaneceu calado e demonstrou bastante abatimento. Neste sábado ele passará por entrevistas e procedimentos burocráticos, que definiram em qual parte da prisão ele será transferido.

Nesta sexta-feira, Daniel Alves, assim que chegou ao presídio, passou pelo procedimento de coleta de impressões digitais e fotos, ainda de acordo com o “El Periódico”. Durante todo o procedimento ele quase não disse nenhuma palavra.

Enquanto não é destacado para uma área da prisão, ele passará seus dias na ala de presos preventivos. Por protocolo da própria prisão, ele passou a noite acompanhado de outros detentos na mesma condição dele.

Entenda o caso

A noite do suposto crime

De acordo com a vítima, que teve a identidade preservada, ela dançava na boate Sutton, em barcelona, com amigos no dia 30 de dezembro quando Daniel Alves a tocou por baixo de sua roupa íntima sem consentimento. O brasileiro ainda a levou ao banheiro e obrigou que ela fizesse sexo com ele.

A mulher disse que relatou aos amigos o que havia ocorrido e procurou a equipe de segurança do estabelecimento, que iniciou o protocolo para casos de agressão sexual.

A polícia foi chamada ao local, mas ao chegar lá o jogador já havia ido embora.

Após a denúncia

Dias mais tarde, em 2 de janeiro de 2023, a vítima foi até a polícia catalã para registrar queixa por assédio sexual. Desde então, ela está recebendo apoio por parte do departamento encarregado desse tipo de crime, e a denúncia está judicializada e em fase de investigação, conforme explica o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC).

O lateral retornou ao México, onde se reapresentou ao Pumas e já entrou em campo na temporada de 2023.

A defesa do jogador

Daniel Alves nega as acusações: "Gostaria de negar tudo. Sim, eu estava naquele lugar, com mais gente, curtindo. E quem me conhece sabe que eu amo dançar. Eu estava dançando e curtindo sem invadir o espaço dos outros. Eu não sei quem é essa senhora. Nunca invadi um espaço. Como vou fazer isso com uma mulher ou uma menina? Não, por Deus", disse à TV espanhola Antena 3.

Depoimento e detenção

O brasileiro, que estava no México, retornou nesta semana à capital da Catalunha para testemunhar espontaneamente nesta sexta-feira.

Segundo o El País, ele foi detido após prestar depoimento e saiu em uma viatura da polícia.

Em paralelo, o Ministério Publico fez um pedido de prisão preventiva sem direito à fiança, o que foi aceito pela Justiça.