Mulher que deve ser executada em 12 de janeiro pede clemência a Trump

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Lisa Montgomery em 20 de dezembro de 2004, no Kansas

Os advogados de uma mulher americana que será executada na semana que vem enviaram nesta terça-feira (5) um pedido de indulto ao presidente Donald Trump, argumentando que ela foi violentada quando criança e sofreu transtornos mentais em função do trauma.

Lisa Montgomery, condenada à morte por ter matado uma mulher grávida para roubar seu feto, poderia tornar-se a primeira mulher executada pela justiça federal americana desde 1953.

Sem negar a gravidade dos fatos, seus familiares e advogados pediram ao presidente em fim de mandato que comutasse sua pena para prisão perpétua. Isso "enviaria uma mensagem importante sobre a necessidade de socorrer as vítimas de violência doméstica e de abuso sexual", argumentaram no pedido.

Segundo os advogados, "a vida [de Lisa Montgomery] foi repleta de um terror inconcebível": quando adolescente, foi vítima de estupros cometidos por seu padrasto e amigos, depois "vendida" a outros homens por sua mãe alcoólatra e violenta. Casada aos 18 anos com seu meio-irmão, ela teria sofrido mais abusos.

O governo republicano retomou as execuções federais em julho passado, após um hiato de 17 anos.

Considerando que o crime de Montgomery foi "particularmente hediondo", o juiz fixou a data de sua execução para 12 de janeiro, oito dias antes de Trump deixar a Casa Branca e o democrata Joe Biden tomar posse.

Em 2004, Montgomery queria ter um filho com seu novo marido, mas não conseguiu, pois ela havia feito a laqueadura das trompas alguns anos antes.

Ela então conheceu uma mulher grávida de oito meses em uma sala de bate-papo e foi até a casa dela no Missouri com o pretexto de comprar um cachorro. Em vez disso, ela a estrangulou antes de cortar seu útero e a deixou envolta em um poça de sangue.

Apesar de conseguir fugir com a bebê, que sobreviveu, foi presa no dia seguinte.

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