Mulher tem bebê após suposto aborto, processa estado e ganha R$15 mil

Mulher teve suposto aborto, mas gravidez seguiu (Getty)
Mulher teve suposto aborto, mas gravidez seguiu (Getty)

Uma mulher processou o Estado do Acre por danos morais por ter sido submetida a uma curetagem após um suposto aborto espontâneo em 2018. Após vários exames ela constatou que continuava grávida.

O caso aconteceu em novembro de 2018 em Mâncio Lima (AC). Ela teve o bebê em julho de 2019.

O fato aconteceu com a professora Ianca Emanuela, de 26 anos, que pediu e ganhou R$ 15 mil no processo contra o estado.

Ianca conta que procurou ajuda médica quando começou a sangrar, foi avisada que tinha perdido o bebê, fez o procedimento, mas continuou sentindo os sintomas da gravidez.

Depois de vários exames e consultas médicas, Ianca descobriu em fevereiro de 2019 que continuava grávida. Heitor Gael nasceu em julho do mesmo ano sem nenhum problema de saúde.

A professora entrou na justiça por conta do erro médico e processou o Estado por danos morais.

"Vejo tanta negligência médica e fica tudo por si. Por isso entrei na Justiça. Meu filho nasceu saudável, é muito inteligente, vai fazer três anos já. O pai foi embora após o suposto aborto e tive que entrar em contato com ele depois disso. Ele não acreditou que o Heitor era dele, tive que fazer DNA. Foi uma etapa da minha vida muito difícil. Causou um grande mal estar", destaca Ianca.

O juízo da Vara Única de Mâncio Lima, onde ela mora, no interior do Acre, acatou o pedido da professora e condenou o Poder Público no início de maio deste ano.

No entanto, consta no processo que o Estado entrou com recurso contra a decisão. No documento, a gestão alega falta de provas para comprovar a ocorrência de dano.

"A bem da verdade, a falta de provas já é suficiente para justificar a improcedência do pleito autoral, pois inexiste nos autos elementos de convicção que, pelo menos, surgiram a existência de conduta omissiva atribuível ao Poder Público", diz parte do recurso.

O procedimento

De acordo com a professora, após fazer um teste de gravidez de farmácia no dia 3 de novembro, que deu positivo, ela percebeu um sangramento e procurou o médico.

Ela foi para receber atendimento médico no hospital de Mâncio Lima, onde ela mora. Na unidade de saúde ela diz que uma enfermeira fez o 'toque' e viu que o colo do útero estava aberto. De lá ela foi encaminhada para a maternidade de Cruzeiro do Sul, cidade vizinha, para uma avaliação mais específica.

Ianca disse ainda que fez um ultrassom na maternidade e o médico falou que estava vendo o feto, mas o coração não batia. Depois de novos exames e avaliações, Ianca foi avisada que tinha mesmo perdido o bebê e teria que voltar no dia seguinte para fazer uma curetagem.

"Fiquei muito arrasada. Voltei para Mâncio Lima, como não tinha onde ficar em Cruzeiro do Sul. Cheguei cedo, me internaram e fui para o centro cirúrgico. Fiquei muito abalada, falei para o médico que não queria sentir dor, estava chorando muito, muito nervosa. O médico pediu para eu ficar tranquila, que não iria sentir nada. Uma amiga me acompanhava, o processo durou mais de meia hora. Não senti nada, fiquei internada um dia ainda tomando a medicação", relata.

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