Mulher tem faca cravada no pescoço e ferimento próximo ao coração em mais uma tentativa de feminicídio

Nesta semana, o Rio de Janeiro teve mais um caso brutal de violência contra mulheres. A técnica de enfermagem Christiane dos Santos Silva Genovez, de 43 anos, foi atacada a facadas pelo ex-marido e teve a ferramenta cortante fincada entre a nuca e o pescoço. O crime foi praticado na noite da última quarta-feira, em frente a casa da vítima, no bairro Corumbá, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ao todo, Christiane levou quatro facadas, uma delas com uma distância de quatro dedos do coração.

— Ele me surpreendeu, me atacou pelas costas. Eu levei uma facada no peito, muito próxima ao coração, uma no meio das costas, ele cortou o lóbulo da minha orelha esquerda e o corte chegou até a bochecha. Por fim, fincou a faca na minha nuca e o cabo quebrou, a lâmina ficou alojada entre a nuca e a minha jugular. Pensei que não fosse sobreviver, sou técnica de enfermagem, sei como as coisas funcionam — relatou a vítima.

Christiane estava sentada no capô do carro de seu filho mais velho, estacionado em frente a sua residência, quando foi atacada. No momento, o homem e sua esposa tinham saído do local para buscar um copo de água na casa da vítima. Foi quando o ex-companheiro da técnica de enfermagem e pai de seus três filhos a esfaqueou:

— Ele estava escondido. Quando viu meu filho e minha cunhada saindo, me atacou covardemente. Foi tudo muito rápido, questão de pouquíssimos minutos. Depois, ele fugiu.

A vítima foi socorrida por um vizinho, já que seu filho ficou muito abalado ao ver a situação que a mãe se encontrava. No Hospital da Posse, a técnica de enfermagem foi atendida às pressas e passou por duas cirurgias, para a retirada da faca e para sutura da orelha e dos demais cortes.

— A dor é grande. Meu maxilar dói muito e meu ouvido sangra bastante. Olhar meu rosto mutilado no meu espelho é desesperador. Mas a maior dor é saber que ele está solto mesmo tendo feito tudo isso. A todo momento, penso que ele pode voltar para terminar o que começou, não consigo nem voltar mais para casa, não saio na rua. Só quero a minha vida de volta.

Christiane passou 22 anos casada, mas há dois anos se separou. Sem aceitar o término, em fevereiro de 2021, o homem passou a agredi-la. Foi quando a técnica de enfermagem procurou, pela primeira vez, a delegacia e pediu uma medida protetiva.

— Ele me agrediu, dei parte dele e ele ficou preso por 13 dias, mas foi solto. Desde então, não tive mais contato. Até que, em junho deste ano, ele invadiu a minha casa com um cutelo e me bateu. Toda vez que ele descobre que me relacionei com alguém, ele volta a me procurar. Dessa vez, eu dei parte como uma tentativa de feminicídio, mas não deu em nada e ele voltou agora — conta.

A técnica de enfermagem tem duas medidas protetivas contra seu agressor concedidas, uma de fevereiro de 2021 e outra, junho deste ano.

Um inquérito foi aberto pela 58º DP (Posse) para investigar o crime. Segundo a Polícia Civil, agentes ouviram testemunhas e realizam diligências para localizar o autor.