Mulher trans agredida por GCM foi xingada de "veado" e "preta desgraçada", diz BO

·2 minuto de leitura
  • A mulher trans agredida por GCM relatou ter sido xingada de "veado desgraçado" e "preta desgraçada"

  • Laurah Cruz foi espancada por agentes públicos de segurança em 30 de setembro, na Cracolândia

  • Artista registrou boletim de ocorrência, e o caso será investigado pela CPI da Transfobia

A atriz e costureira trans Laurah Cruz, agredida por um guarda municipal na região da Cracolândia (centro de São Paulo), relatou à polícia ter sido xingada de "veado desgraçado" e "preta desgraçada" ao sofrer abordagem truculenta enquanto recolhia em uma sacola roupas para doação, em 30 de setembro.

Segundo boletim de ocorrência ao qual o Yahoo! teve acesso, a artista de 33 anos contou em depoimento que "aquele guarda civil ficou extremamente nervoso, pisou sobre a sacola e espirrou três jatos de gás pimenta" em seus olhos. A vítima retrucou dizendo: "Sou cidadã e mereço respeito!", porém o agente da GCM (Guarda Civil Metropolitana) a ofendeu: "Preta desgraçada".

Leia também:

Laurah relatou à polícia ter dito ao guarda que não poderia ser tratada daquele jeito e, desnorteada pelo gás de pimenta, acabou chutando um cone. Foi quando o agente da GCM a xingou novamente: "Veado desgraçado". Em seguida, a atriz disse ter saído correndo e foi perseguida pelo agressor com o cassetete em punho. Ele a alcançou e lhe desferiu um golpe nas costas: "Volta aqui que eu te arrebento".

De acordo com o documento, três integrantes da GCM, incluindo o autor das ofensas e do golpe, "a imobilizaram com as mãos para trás, empurraram seu rosto contra a parede e ordenaram que levantasse seu vestido até a altura da cintura, deixando-a de calcinha à mostra, constrangendo-a".

Laurah afirma que também foi atingida na barriga e no braço. (Fotos: Arquivo Pessoal/Ponte Jornalismo)
Laurah afirma que também foi atingida na barriga e no braço. (Fotos: Arquivo Pessoal/Ponte Jornalismo)

Um dos agentes, declarou Laurah à polícia, a chamou constantemente pelo pronome masculino, desrespeitando sua identidade de gênero. Ela registrou boletim de ocorrência na última sexta-feira (1º), na sede do Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), por lesão corporal e racismo, crime ao qual pertence a LGBTfobia.

O caso será investigado pela CPI da Transfobia na Câmara Municipal de São Paulo. A vereadora Erika Hilton (PSOL-SP), presidente da comissão, solicitou informações sobre a operação da GCM na região, os nomes dos agentes que participaram da abordagem à artista transgênero e quais providências foram tomadas pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana, o Comando Geral da Guarda e a Secretaria Municipal de Segurança Urbana de São Paulo sobre a agressão.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos