Mulheres pedem fora Bolsonaro, fim do feminicídio e aborto legal em ato de 8 de março

Giorgia Cavicchioli
·5 minuto de leitura
Mulheres pediram o impeachment do presidente. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias
Mulheres pediram o impeachment do presidente. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias

O impeachment do presidente Jair Bolsonaro, o fim do feminicídio e aborto legal eram algumas das pautas defendidas pelas mulheres que reuniram neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, em São Paulo.

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Era por volta de 14h quando mulheres de várias idades, raças e religiões passaram a tomar a frente do parque Prefeito Mário Covas, na avenida Paulista, ponto de encontro marcado para as manifestações deste 8 de março. Com bandeiras e cartazes, elas também pediam pelo fim do assédio e por mais direitos trabalhistas.

Por volta das 14h30 a avenida foi tomada por uma forte chuva, o que fez com que um grupo de manifestantes buscassem abrigo nas marquises da avenida, abrissem seus guarda-chuvas e comprassem capas de chuva de ambulantes. Porém, poucas pessoas saíram das ruas.

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Do carro de som, foi chamado o grito de “nem chuva e nem vento derruba esse movimento”, que foi prontamente seguido por várias mulheres e homens que participavam do protesto. Além desse, outros gritos foram entoados pela multidão. Entre eles, “nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua para lutar” e “legaliza, o corpo é nosso, é nossa escolha, é pela vida das mulheres”, em referência ao aborto.

Mulheres pediram o fim do feminicídio. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias
Mulheres pediram o fim do feminicídio. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias

Com várias pautas distintas e realidades diferentes, as mulheres presentes no local se uniam quando pediam mais respeito e maior igualdade. Uma delas era a estudante Selma Delfino, de 13 anos, que foi com a mãe até o ato para pedir por mais direitos.

“Eu me sinto feliz em estar aqui. Eu vim representar a minha aldeia, que se chama Boa Vista e fica em Ubatuba. É importante a gente lutar pelos nossos direitos. Os homens estão mandando muito na gente, pensando no que a gente tem que fazer… por isso, eu vim aqui hoje. Eu vim por todas as mulheres”, explicou a jovem indígena.

Mulheres entoaram vários gritos durante a manifestação. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias
Mulheres entoaram vários gritos durante a manifestação. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias

Ver Selma e outras adolescentes no protesto fez a aposentada Cleusa Almeida, de 69 anos, comemorar. “Eu sou feminista desde os meus 20 anos. Eu queria que todas as mulheres e moças seguissem o meu exemplo. Só assim a gente vai ter um mundo melhor. Há 40 anos eu pratico a política e defendo as pessoas que têm menos condições. Eu quero que o mundo seja mais igual, seja mais justo… para isso, a gente tem que lutar por democracia”, disse.

Além disso, a estudante universitária Marianna Alves, de 21 anos, acredita que é importante que as mulheres negras e trabalhadoras sejam lembradas na data. “Além de ser o dia da mulher, esse é um dia em que se comemora a luta das mulheres trabalhadoras em conjunto. É importante representar esse setor, que é composto, em sua maioria, por mulheres negras e que estão nos piores postos de trabalho”, afirmou.

O ato também contou com a participação de um grupo de mulheres evangélicas. Uma delas era a professora Valéria Vilhena, da EIG (Evangélicas pela Igualdade de Gênero). Segundo ela, é preciso que elas estejam nas ruas em manifestações para pregar o que Jesus ensinou aos seus seguidores: amor e justiça.

Mulheres pediram aborto legal. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias
Mulheres pediram aborto legal. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias

“Não dá para ser cristão e não pautar sobre direitos em uma sociedade que é patriarcal e sexista. A gente precisa dizer que uma outra fé é possível, não aquela que estamos vendo aí com essa bancada evangélica. Essa política não nos representa. Esse atual governo não nos representa, por não representar os direitos das mulheres”, explicou.

“Estamos em uma sociedade em que os feminicídios e os abusos ocorrem dentro de nossas casas. Não há lugar seguro para nós. Não estamos seguras nas nossas casas e, muitas vezes, não estamos seguras nem nas nossas igrejas. A gente não está impondo uma teologia feminista, nós estamos expondo”, afirmou.

Alexya Salvador é a primeira pastora trans da América Latina. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias
Alexya Salvador é a primeira pastora trans da América Latina. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias

Outra mulher que também estava no protesto demonstrando sua fé era Alexya Salvador, primeira pastora trans da América Latina. “A verdadeira igreja de Cristo é aquela que pratica a justiça. Quando a gente vê pessoas fazendo sinal de arminha com a mão nos cultos, isso denuncia tudo aquilo que Jesus denunciou. Jesus não foi morto somente por ser filho de Deus. Ele foi morto por ousar questionar o poder político de seu tempo”, explicou.

“Jesus não foi morto somente para pagar nossos pecados. Ele foi morto por andar ao lado de mulheres que os judeus não queriam andar. A igreja tem que se posicionar. A verdadeira mensagem do evangelho é a luta pela vida, vida em abundância”, constatou a pastora que comemorou a presença de várias mulheres trans no protesto e dentro do movimento feminista.

Protesto seguiu pela rua Augusta até a praça Roosevelt. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias
Protesto seguiu pela rua Augusta até a praça Roosevelt. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias

Após andarem em caminhada por parte da avenida Paulista e pela rua Augusta, as mulheres finalizaram a manifestação por volta das 18h30 na praça Roosevelt. Durante todo o trajeto elas foram guiadas por mulheres negras, com deficiência e indígenas, que estavam na linha de frente.

Mulheres negras estavam na linha de frente do protesto. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias
Mulheres negras estavam na linha de frente do protesto. Foto: Pedro Chavedar/Yahoo Notícias