Mulheres atolam em obra que aumenta faixa de areia em Balneário Camboriú (SC)

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***ARQUIVO***BALNEÁRIO CAMBORIÚ, SC, 25.01.2020 - Movimentação de banhistas pela orla da praia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. (Foto: Anderson Coelho/Folhapress)
***ARQUIVO***BALNEÁRIO CAMBORIÚ, SC, 25.01.2020 - Movimentação de banhistas pela orla da praia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. (Foto: Anderson Coelho/Folhapress)

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Duas mulheres ficaram presas em um trecho ainda em obra de ampliação da faixa de areia na orla de Balneário Camboriú, no litoral catarinense, e precisaram ser resgatadas por guarda-vidas, por volta das 10h30 desta terça-feira (26).

Por meio de nota, a prefeitura municipal informou que o trecho da Praia Central, entre a rua 4000 e Pontal Norte, onde ocorreu o caso, ainda não está liberado para o público, com sinalização indicando o mesmo.

Em um vídeo de pouco mais de um minuto, uma das mulheres, que parece estar presa até a cintura na areia, é puxada por um guarda-vidas com auxílio de um cabo de salvamento, enquanto a outra aguarda. Elas não tiveram ferimentos, segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

Segundo o capitão Marcus Vinicius Abre, subcomandante do 13º Batalhão de Bombeiros Militar, as mulheres foram avistadas pelos guarda-vidas que ficam em um posto a cerca de 300 metros de distância do local e que acionaram o resgate.

O subcomandante afirma ainda que há relatos de outros casos de pessoas presas na areia, em situações semelhantes, mas que conseguiram sair sozinhas e por isso não houve registro de ocorrência.

"[É necessário] Que as pessoas respeitem a sinalização. O local está muito bem isolado pela empresa responsável, tem diversas placas, tem cercado, as pessoas estão burlando. O risco não é só de atolamento, mas também de acidentes envolvendo o maquinário e viaturas que trabalham na obra", ressalta ele.

A prefeitura também reforça que tem sinalizado o local com uso de cerquites, espécie de tapumes de plástico, para que as pessoas não avancem sobre a praia porque a areia precisa de tempo para se estabilizar.

"É imperioso que as pessoas se conscientizem que existe risco, que respeitem esse tempo e não façam uso nos primeiros dias após a execução desse aterro de praia", explica o coordenador da obra de aterro da praia, Rubens Spernau.

Com pouco mais de cinco quilômetros no total, até o momento a obra de alargamento da faixa de areia em Balneário Camboriú teve dois quilômetros liberados para a circulação. A obra iniciada em agosto deve triplicar a faixa de areia, passando de 25 metros até o mar para 75.

Segundo Spernau, a obra foi feita para acomodar o movimento de veranistas, turistas ou moradores, que já não cabiam no espaço disponível da faixa de areia. Ele ressalta que questões como erosão marinha, por ação do homem ou não, afetaram a orla em diversos pontos da costa brasileira nas últimas décadas.

"Nós precisávamos recuperar a praia. Na verdade, ela está tomando a forma que ela teve na década de 1950, quando era uma praia praticamente sem ocupação. A gente está recompondo, por isso a gente chama de recuperação de praia essa obra", explica.

Desde agosto, quando as obras de ampliação da faixa de areia iniciaram, relatos de tubarões se aproximando da costa ou avistados por pescadores em enseadas próximas se tornaram mais frequentes.

À reportagem, o pesquisador Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali, responsável pelo monitoramento dos tubarões, afirmou que a intervenção na faixa da areia é a responsável pela intensificação da presença dos animais.

Spernau diz que a prefeitura acompanha a questão e que não há, até o momento, registros de espécies que ataquem seres humanos entre aquelas avistadas. Técnicos da área, diz ele, apontam que os animais podem ter sido atraídos por questões de cadeia alimentar, com a movimentação de outras espécies no local.

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina diz que não há registros de atendimentos a pessoas atacadas por tubarões na região.

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