Mulheres cientistas da América Latina ganham poder, mas ainda existem obstáculos

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Silvina Sonzogni (R), pesquisadora membro do CONICET (Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica), trabalha ao lado da aluna Eliana Rozowykwiat, no laboratório de Neurogenética da Universidade Buenos Aires

Por Lucila Sigal

BUENOS AIRES (Reuters) - As mulheres cientistas e pesquisadoras da América Latina estão demonstrando um grande poder, apesar de um teto difícil de romper para postos de destaque na academia e nos negócios, o que reflete como as mulheres estão avançando em uma região vista como frequência como um bastião da cultura machista.

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da ONU Mulheres mostra que elas representam 45% dos pesquisadoras da América Latina e do Caribe diante das cerca de 29% globais, a maior taxa de todo o mundo, mas ainda há lacunas em algumas especialidades.

"As mulheres estão avançando em carreiras que antes eram muito masculinas ou de domínio totalmente masculino", disse Gloria Bonder, diretora da Presidência Regional de Mulheres, Ciência e Tecnologia da Unesco na América Latina, à Reuters por telefone.

As mulheres latino-americanas estão disparando nas ciências sociais e médicas, mas são menos representadas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, áreas consideradas essenciais para o desenvolvimento futuro.

"Na matemática, somos quase a metade, na física há mais homens, mas na biologia há uma predominância de mulheres", disse Bonder. "Hoje, as mulheres estão cientes e na luta para reverter estas desigualdades."

Mas os obstáculos permanecem.

Embora mais mulheres latino-americanas do que homens se formem e exista quase uma paridade de pesquisadores, as mulheres só comandam 18% das reitorias de universidades públicas, e no setor corporativo são só 27% entre executivos.

"Esta é uma questão importante porque, no geral, as empresas têm salários mais altos e oferecem outras possibilidades de desenvolvimento profissional", disse Bonder.

Muitos governos, universidades e institutos de pesquisa da região implantaram programas nos últimos anos para promover a igualdade de gênero e evitar a discriminação, mas muitas mulheres ainda enfrentam obstáculos para progredir em carreiras científicas.

A pandemia de Covid-19, que destacou a importância do empenho científico, também acentuou os desafios para as mulheres, incluindo o equilíbrio complexo entre o sucesso no trabalho e os cuidados com filhos, frequentemente maiores do que os de seus parceiros masculinos.

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702))REUTERS AC