Mulheres criam mercado solidário para famílias afetadas pela pandemia

·4 minuto de leitura
Grupo criou um mercado para ajudar quem mais precisa durante a pandemia. Foto: Divulgação
Grupo criou um mercado para ajudar quem mais precisa durante a pandemia. Foto: Divulgação

Pensando em ajudar as famílias que moram na comunidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e que foram atingidas pela pandemia de coronavírus, o coletivo Mulheres da Parada se uniu para fazer com que o período de crise fosse menos difícil. Foi assim que elas criaram um mercado com alimentos e produtos de higiene para que os moradores mais necessitados pudessem fazer suas compras sem pagar nada.

Desde abril, elas já ajudaram 150 famílias, distribuíram 6.350 alimentos e 2.540 itens de higiene e limpeza. No entanto, como a quarentena está durando muito mais tempo do que elas poderiam imaginar, elas estão precisando de doações para continuar com o trabalho.

Leia também:

Em entrevista ao Yahoo, a publicitária Letícia da Hora, representante do coletivo, afirma que é preciso correr contra o tempo. “Agora, as pessoas não estão colaborando tanto. Não estamos conseguindo ampliar o número de famílias atendidas como gostaríamos. Temos verba suficiente para realizar a ação por mais um mês e meio”, explica.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Leia a entrevista completa:

Yahoo: De onde veio a ideia do projeto?

Letícia da Hora: A ideia de criarmos o coletivo Mulheres da Parada surgiu após eu e minhas vizinhas realizarmos nossa primeira grande ação juntas. A ação foi a distribuição de um kit de prevenção ao coronavírus para a nossa comunidade. Eu consegui financiamento para essa ação ao ser contemplada com o Fundo Emergencial Baobá.

Yahoo: Como você reuniu as outras parceiras para o projeto?

Letícia: Tudo começou quando fui contemplada com R$ 2.500 do Fundo Emergencial Baobá. Para conseguir atender mais pessoas, eu comecei a solicitar apoio dos meus familiares e amigos mais próximos. As primeiras companheiras foram minhas vizinhas mais próximas, que ao verem minha movimentação com as distribuições de cestas básicas, logo se ofereceram para me ajudar.

Yahoo: E como foi isso?

Letícia: A solidariedade é algo comum aqui onde vivemos. Elas ficaram tão felizes com o êxito da ação, que logo surgiu o desejo de continuar fazendo algo em prol da nossa comunidade. Assim surgiu o coletivo Mulheres da Parada. No início, éramos 7. Com a visibilidade das nossas ações na comunidade e nas redes sociais, outras mulheres dos bairros vizinhos manifestaram interesse em integrar o coletivo.

Yahoo: Como ele foi crescendo e recebendo ajuda de outras pessoas?

Letícia: Foi pelo boca a boca e, principalmente, pelas redes sociais. Graças às redes sociais, podemos ter nossas vozes amplificadas, alcançar pessoas que são de fora do círculo e, principalmente, a mídia, que fez com que nossas arrecadações aumentassem consideravelmente por um período. Agora, as pessoas não estão colaborando tanto. Creio eu que seja pelo fato da quarentena ter se estendido mais do que esperávamos. Por este motivo, não estamos conseguindo ampliar o número de famílias atendidas como gostaríamos. Temos verba suficiente para realizar a ação por mais um mês e meio.

Yahoo: Você esperava ter tanto apoio, inclusive de empresas?

Letícia: Não esperava. Tanto é que sempre avisava as pessoas para não contarem com nosso apoio no mês seguinte porque só poderíamos atendê-las se tivéssemos doações. E, para minha surpresa, estamos atendendo de forma contínua essas famílias desde abril. Hoje, atendemos 150 famílias.

Yahoo: Como funciona para doar?

Letícia: Para doar a pessoa pode ligar no número 21 97047-1440, ou falar com a gente pelas redes sociais: @Mulheresdaparada. Também temos um e-mail. Por ele, as pessoas podem tirar dúvidas: mulheresdaparada@gmail.com. As doações podem ser feitas também por meio do Pic Pay (https://picpay.me/mulheresdaparada), pela vaquinha on-line (vaka.me/1067097) ou por meio dos dados bancários: banco Bradesco, agência 6023, conta corrente 7614-7, CPF 11701035707, nome Letícia Santos Freitas.

Yahoo: E para pegar algum alimento que a pessoa esteja precisando?

Letícia: Para ser atendida, a família precisa estar previamente cadastrada e comparecer ao mercadinho solidário no dia e horário agendado para realizar suas compras.

Yahoo: Qual foi a reação das pessoas ao saber que poderiam ir ao mercado?

Letícia: Os moradores nos agradecem muito e dizem que temos ajudado muito porque eles estão desempregados ou impedidos de trabalhar. Muitos afirmam não ter recebido o auxílio do governo e os que recebem dizem que utilizam o mercado para complementar as compras.

Yahoo: Você tem controle do quanto já foi doado?

Letícia: Com o mercadinho e as distribuições de cestas básicas, atendemos de forma contínua 150 famílias, uma média de 600 pessoas por mês. Distribuímos 6.350 alimentos e 2.540 itens de higiene e limpeza. Isso sem contabilizar os atendimentos em nossas outras iniciativas: bazar solidário, distribuição de água sanitária...

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos